Fabinho, jogador do Metalist, saiu de Karkhiv com Derek, colega de time. Os dois chegaram ao Rio na noite desta quinta-feira (3). Fabinho (de boné vermelho) e Derek abraçam parentes na chegada ao Rio
Reprodução/TV Globo
Jogadores do Rio que fugiram da guerra da Ucrânia contaram que tiveram de pegar um trem lotado até a Polônia. “Não tinha lugar para todo mundo sentar”, afirmou Fabinho, atleta do Metalist, de Kharkiv.
“A gente estava em pé e teve que dormir 13 horas no chão gelado do trem, até no banheiro.”
Fabinho e Derek, seu colega de time, chegaram ao Rio na noite desta quinta-feira (3).
“Deus salvou a gente mesmo. Essa é a realidade. Se não fosse Deus, a gente não estava aqui não”, disse Fabinho.
A dupla saiu de Kharkiv, onde fica a sede do clube, a 455 km da capital, Kiev, e foi até a Polônia. Parte do percurso foi feita de trem e outra, de carro, com ajuda de voluntários.
De lá, os dois jogadores viajaram de avião até Lisboa. Então, embarcaram num voo com conexão em Campinas (SP) e desembarcaram no Rio.
“Até o momento que ficamos lá, ouvimos tiroteio, avião-caça passando perto do nosso prédio. Assim que a gente saiu, começamos a ver as notícias que já tinham atacado a cidade. Então, graças a Deus conseguimos sair antes”, lembrou Derek.
Kharkiv é uma das cidades mais devastadas pelo ataque russo.
Foto mostra prédio que pegou fogo após ataque russo em Kharkiv no dia 2 de março de 2022
Serviço de Emergência da Ucrânia/AFP
Ajuda de influencer
Derek, a esposa, Nathalia, e a filha, de 10 meses, tinham passado férias no Brasil em dezembro. Ele voltou para a Ucrânia. Nathalia e a menina ficaram e iriam em fevereiro, mas, por um problema no passaporte, acabaram não indo.
Nathalia teve ajuda pelas redes sociais. Ela encontrou um influencer que, com ajuda de um empresário de Nova York, conseguiu fretar um avião até a Polônia para buscar Derek, Fabinho e outros dois atletas do Metalist.
“Eram duas da manhã. Não sabia o que ia ser, nem se estavam tentando passar pela fronteira. Ele [o influencer] falou que conseguiria quatro vagas para mim. Eram as quatro vagas que a gente precisava”, lembrou Nathalia.
“E eu pensando que não ia dar certo. Se isso era um trote. Mas, graças a Deus, deu tudo certo, e foi um anjo que caiu na nossa vida.”
Fonte: G1 Mundo
