580 crianças nascidas no Brasil foram deportadas pelos EUA para o Haiti, diz ONG

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Documento mostra que desde janeiro de 2021 até fevereiro de 2022 mais de 25 mil pessoas foram deportadas para o país da América Central pelos EUA. Uma rua em Porto Príncipe em dezembro de 2021
César Muñoz Acebes/Human Rights Watch
Um relatório divulgado pela ONG Human Rights Watch (HRW) nesta quinta-feira (24) identificou que 580 crianças nascidas no Brasil foram deportadas pelos EUA para o Haiti entre setembro de 2021 e fevereiro de 2022. Trata-se de filhos de pais haitianos. Outro órgão, o Organização Internacional das Migrações (OIM) disse que há situações irregulares nas deportações.
Segundo o documento, de 1º de janeiro de 2021 a 26 de fevereiro de 2022, 25.765 pessoas foram expulsas ou deportadas para o Haiti.
“A maioria das pessoas retornadas pelos EUA havia deixado o Haiti anos antes, fugindo de uma situação econômica e de segurança já difícil, e morava no Chile ou no Brasil antes de viajar para os EUA. Alguns sofreram violência, incluindo abuso sexual, a caminho dos EUA”, afirmou a HRW.
Uma rua em Porto Príncipe em dezembro de 2021
César Muñoz Acebes/Human Rights Watch
Por conta das supostas irregularidades do governo americano, a entidade internacional pediu que os EUA parem com as expulsões.
“Os Estados Unidos devem interromper imediatamente o uso inapropriado do Título 42 , uma seção da lei de saúde dos EUA, para expulsar pessoas para o Haiti e outros lugares”, disse a Human Rights Watch.
De 19 de setembro de 2021 a 14 de fevereiro de 2022, os EUA enviaram ao Haiti cerca de 2.300 crianças nascidas no exterior de pais haitianos, informou a OIM. Desses, cerca de 1.600 nasceram no Chile; outros 580 no Brasil e cerca de 140 em outros países, incluindo Bahamas, Argentina, México e Venezuela.
“Haitianos detidos nas prisões de fronteira dos EUA relataram condições adversas, incluindo comida insuficiente, falta de acesso a chuveiros ou produtos de higiene por semanas e falta de assistência médica”, diz o documento.
A HRW ainda confirma que alguns afirmaram que agentes de fronteira levaram roupas, telefones, dinheiro e sua documentação pessoal, e que receberam alguns, mas não todos os seus pertences de volta no Haiti.

Fonte: G1 Mundo