Tocantins registra mais de 130 desaparecimentos no primeiro trimestre de 2026

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Mais de 130 pessoas desapareceram no Tocantins em 2026
Nos primeiros três meses deste ano, 136 pessoas desapareceram no Tocantins. Os dados são referentes ao período de 1º de janeiro a 24 de março de 2026. Um dos casos mais recentes foi o da Ágatha Sophia, de 4 anos, que desapareceu nas águas do Rio Tocantins. A avó lida com a dor e mantém a esperança de encontrar a menina.
“Dói dentro do peito. Uma dor que não tem explicação. Está sendo muito difícil entrar dentro de casa e olhar as coisinhas dela. Lembrar dela, porque ela era uma criança muito feliz. Encontrar pelo menos um vestígio dela, alguma roupinha, alguma coisinha dela. A gente está na expectativa de encontrar”, contou Maria Vanuza Xavier Arruda, em entrevista à TV Anhanguera.
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Conforme os dados do Núcleo de Coleta e Análise Estatística (Nucae) da Secretaria de Segurança Pública (SSP), as cidades que mais registraram desaparecimentos foram Palmas, Araguaína e Gurupi. Somente no dia 14 de março, três pessoas desapareceram em um único dia.
A maioria das vítimas são homens, pardos com idades entre 18 e 59 anos. Entre o total de desaparecidos, 72,06% sumiram no período matutino e 27,94% durante a noite.
A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) informou que mais de 90% dos casos de desaparecimento registrados nas maiores cidades do Tocantins em 2026 foram solucionados em curto espaço de tempo.
Também afirmou que a grande quantidade de registros decorre da abrangência desse tipo de ocorrência, que vai desde saídas voluntárias de casa a desaparecimentos em ambiente aquático, por exemplo. “Ressalta-se que os desaparecimentos provocados por ação de terceiros são ocorrências raras no Estado do Tocantins”, diz a nota.
Outra situação apontada pela SSP é que, nas cidades do interior, a consolidação dos dados enfrenta limitações, pois, em muitos casos, familiares deixam de comunicar às autoridades o reencontro dos desaparecidos (veja nota completa abaixo).
Ismael Gama, Ágatha Sophia e Adenir Rodrigues
ReproduçãoAna Beatriz Gama/Arquivo pessoal/Arquivo da família de Ágatha Sophia/redes sociais
Desaparecidos no dia 14 de março
Ágatha Sophia
A menina foi vista pela última vez em Tocantinópolis, no dia 14 de março de 2026. Ela estava com a mãe quando desapareceu no Rio Tocantins. A mãe relatou aos bombeiros que a filha se afastou por alguns instantes e saiu de seu campo de visão.
Testemunhas informaram à Polícia Militar que viram uma pessoa pedindo ajuda na água logo após o desaparecimento. Familiares e amigos tentaram socorrê-la, mas foram impedidos pelo alto nível do rio e pela forte correnteza.
A SSP informou que foi instaurado inquérito policial para investigar as circunstâncias do desaparecimento de Ágatha Sophia. As investigações em torno do caso estão a cargo da 3ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e Vulneráveis (DEAMV – Tocantinópolis).
Ágatha Sophia tinha 4 anos desapareceu em Tocantinópolis
Reprodução/Arquivo da família de Ágatha Sophia
Adenir Rodrigues
O mecânico agrícola sumiu em uma fazenda onde trabalhava, quando desceu para um córrego que fica próximo à casa-sede da propriedade em Cariri do Tocantins. Ele é morador de Talismã e estava prestando serviço na fazenda Luana, segundo o irmão Alfredo Aparecido da Silva.
Apesar de as buscas oficiais terem sido encerradas, familiares e moradores continuam à procura do mecânico.
O desaparecimento de Adenir Rodrigues da Conceição foi registrado na Polícia Civil e é investigado pela 85ª Delegacia de Polícia de Cariri do Tocantins. Segundo a Polícia Civil, as primeiras informações indicam que se trata de desaparecimento sem participação de terceiros.
Ismael Gama
O homem de 36 anos saiu de casa para beber com os amigos e não foi mais visto. Conforme a irmã Ana Beatriz Gama, ele foi avistado pela última vez em uma praia em Novo Acordo, no norte do Tocantins.
A Polícia Civil informou que testemunhas, amigos e familiares da vítima foram ouvidos e que o caso é investigado pela 80ª Delegacia de Polícia de Novo Acordo. As diligências para a sua localização estão em andamento, mas a polícia não repassará mais detalhes para não comprometer as investigações.
Caso de Laura Vitória foi denunciado à ONU
Laura Vitória desapareceu no dia 9 de janeiro do ano passado
Reprodução/TV Anhanguera
Um dos casos mais emblemáticos no Tocantins é o da menina Laura Vitória, que sumiu quando tinha 11 anos, em janeiro de 2016. Recentemente, o desaparecimento dela foi denunciado para a Organização das Nações Unidas (ONU) pelo Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca).
A jovem tinha saído de casa para ir a um supermercado na região sul de Palmas. Imagens de câmeras de segurança do estabelecimento mostraram quando a menina entrou e saiu do local. Depois que ela deixou o comércio, nunca mais foi vista.
De acordo com a secretária-executiva do Cedeca Glória de Ivone, Mônica Brito, a denúncia à ONU foi adotada após a organização identificar possíveis falhas nas investigações.
A SSP informou que as investigações de Laura Vitória estão sob a responsabilidade da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado. A pasta justificou a falta de detalhes públicos afirmando que o caso tramita sob segredo de justiça.
Familiares realizam buscas para encontrar Laura, desaparecida há uma semana
Íntegra da nota da Secretaria de Segurança Pública
A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) informa que mais de 90% dos casos de desaparecimento registrados nas maiores cidades do Tocantins em 2026 foram solucionados em curto espaço de tempo, resultado do tratamento prioritário dado pela Polícia Civil e pelas demais forças de segurança do Estado a esse tipo de ocorrência. Ao todo, foram 83 casos nas cinco cidades mais populosas do estado desde o início do ano, dos quais oito seguem em investigação, com paradeiro ainda não identificado.
A quantidade aparentemente elevada de registros classificados como ‘desaparecimento’ decorre, em grande parte, da abrangência desse tipo de ocorrência. Nessa categoria, enquadram-se situações como saídas voluntárias de casa, desaparecimentos em ambientes aquáticos, bem como casos envolvendo pessoas com condições de saúde que comprometem a capacidade de orientação e retorno ao lar, entre outras hipóteses. Ressalta-se que os desaparecimentos provocados por ação de terceiros são ocorrências raras no Estado do Tocantins.
Nas cidades do interior, a consolidação precisa dos dados enfrenta limitações, uma vez que, em muitos casos, familiares deixam de comunicar às autoridades o reencontro com a pessoa inicialmente desaparecida. A SSP/TO reforça a importância dessa atualização, a fim de evitar o emprego desnecessário de recursos e permitir que as equipes concentrem esforços em ocorrências que ainda demandam atuação.
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Fonte: G1 Tocantins