Parece cobra, mas não é: espécie de lagarto raro com patas minúsculas é reencontrado por pesquisadores após 20 anos desaparecido

0
138

Réptil é bem diferente por ter patas bem pequenas e um rabo bastante longo, se assemelhando bastante com uma cobra. Animal habita cerrado tocantinense e foi reconhecido como uma nova espécie em 2007. Lagarto Bachia psamófila foi redescoberto no cerrado do Tocantins
Luís Felipe Carvalho de Lima/UFT/Divulgação
Uma espécie de lagarto que não era vista há quase duas décadas foi redescoberta no Tocantins. O réptil é bem diferente e considerado bastante raro. Entre suas características principais o corpo serpentiforme – bem parecido com uma serpente.
“As espécies do gênero Bachia se assemelham à uma cobra/serpente, pois possuem membros (patas) muito reduzidos e cauda alongada, adaptações ao estilo de vida subterrâneo. Devo lembrar e informar à população que não precisa ter medo desse lagartinho, pois assim como os demais lagartos que temos em nosso país, ele não é venenoso. Portanto, podem ficar tranquilos”, explicou o professor e pesquisador Thiago Portelinha.
A expedição para procurar pelo bicho aconteceu entre o fim de setembro e início de outubro, contando com pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Universidade de Brasília (UNB) e do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (ICMBio – RAN).
Segundo a UFT, o animal foi descoberto no ano de 1999 durante estudos que avaliavam o impacto ambiental da formação do reservatório da Usina Hidrelétrica de Luís Eduardo Magalhães, em Lajeado, no Tocantins.
Local de mineração próximo da área onde o lagarto foi encontrado
Reuber Brandão/UFT/Reprodução
Os primeiros exemplares foram registrados pelos biólogos Ayrton K. Péres Jr. e Reuber A. Brandão. A nova espécie foi formalmente reconhecida em 2007. Desde então nenhum outro lagarto do tipo havia sido observado na natureza até agora.
A UFT informou que os novos exemplares do lagarto foram localizados na zona rural de Miracema do Tocantins, próximo ao local onde a espécie foi registrada há 20 anos. Ainda não é possível estimar o tamanho da população.
“Em nossa expedição, foi possível capturar alguns exemplares da espécie. Portanto, o bicho está ali! No entanto, somente o monitoramento a longo prazo e os estudos populacionais que desenvolveremos na área poderá nos trazer essa informação.”
Atualmente a região onde o lagartinho foi encontrado não faz parte de nenhuma unidade de conservação de proteção integral para garantir sua permanência.
Lagarto tocantinense
Rastros deixados pelo lagarto na areia
Reuber Brandão/UFT/Reprodução
Conforme os pesquisadores, a espécie é muito seletiva em relação ao seu habitat e muito difícil de ser observada. Por enquanto o lagarto só foi encontrado em locais chamados de “tombadores de areia”, também denominadas como paleodunas do rio Tocantins.
“Essas áreas de fina areia branca, cobertas por vegetação aberta de Cerrado, foram formadas no passado pela deposição de areia do rio em seu curso antigo. Até o momento temos o registro da espécie somente nessa localidade às margens do reservatório da UHE-Lajeado. Pelas características ecológicas da espécie é o pelo nível de exigência em relação ao habitat, acreditamos que seja endêmica do nosso Tocantins”, explicou o pesquisador.
O lagarto é difícil de ser encontrado porque se esconde muito bem no solo arenoso e em qualquer tipo de abertura que sirva como esconderijo. Um dos indícios de existência da espécie é o pequeno rastro sinuoso deixado na areia.
Segundo o pesquisador, reencontrar o animal é de grande importância. “O novo registro demonstra que o conhecimento de nossa biodiversidade depende de investimento em pesquisa, da cooperação entre instituições e do estabelecimento de políticas e estratégias de conservação dos ambientes naturais”, comentou.
A expedição
A expedição que redescobriu o lagarto faz parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção do Cerrado e Pantanal (CERPAN) viabilizada pelo (GEF Pró-Espécies).
O CERPAN é coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (ICMBio/RAN) e tem como um dos objetivos identificar e reduzir lacunas de conhecimento sobre as espécies-alvo e seus hábitats, incluindo a Bachia psamófila.
Expedição de pesquisadores que encontraram lagarto raro
UFT/Divulgação
? Participe da comunidade do g1 TO no WhatsApp e receba as notícias no celular.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Fonte: G1 Tocantins