Além de não entregarem as medicações para problemas psicológicos, há relatos de falta de profissionais no Centro de Atenção Psicossocial. Órgãos de fiscalização ajuizaram ação cobrando soluções para o desabastecimento. Pacientes reclamam que não recebem medicamentos dos CAPS de Palmas há meses
Pacientes atendidos pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II) de Palmas não estão recebendo parte da medicação necessária para terem uma melhor qualidade de vida. O problema já dura pelo menos cinco meses e quem depende disso reclama da situação.
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Um dos pacientes é o pintor Cleiton Sérgio da Silva. Ele precisa de medicações de forma contínua e disse que está sendo prejudicado com o desabastecimento.
“Eles falaram para mim que está faltando, que não tem previsão de quando vai chegar. Eu falei que não pode faltar, por que a gente para imposto. Um é para eu dormir, porque eu perco o sono de noite, e outro é para memória, porque tive muitos acidentes, bati a cabeça e quase perco a memória”, disse o pintor.
Pintor Cleiton Sérgio precisa de medicamentos para memória
TV Anhanguera/Reprodução
O sobrinho da servidora pública Ilzamar Carvalho também depende do tratamento na unidade. Mas além da falta de remédio, ela relata ainda que não há profissionais suficientes para atendimento.
“A única que eles fazem quando tem médico, que é muito raro, é passar medicamentos. Ele [o sobrinho] continua do mesmo jeito, sempre dopado, não tem um acompanhamento, uma terapia. Não tem acompanhamento de nada. É um descaso, porque é um sofrimento para ele, é um sofrimento para a família”, lamentou.
O CAPS II atende pacientes que se encontram em sofrimento psicológico. Assim como Cleiton e Ilzamar, muitos têm reclamado da ausência de remédios essenciais. Uma vistoria do Ministério Público Estadual (MPTO) na unidade confirmou o desabastecimento. Na lista das medicações em falta tem pelo menos 20 itens. Entre eles estão remédios para combater a ansiedade, depressão, pra auxiliar no sono, utilizados nos tratamento de epilepsia e até para o controle de psicoses.
O caso também foi parar na Defensoria Pública e não é a primeira vez que se registra a situação. A Justiça foi acionada e há uma decisão determinando a solução do problema.
Representantes do MP encontraram caixas de medicamentos vazias no CAPS em Palmas
TV Anhanguera/Reprodução
“Já tem uma Ação Civil Pública de 2019 onde já tem sentença em que o Município deve ter um estoque regular. Então a gente pediu o cumprimento de sentença. O juiz arbitrou uma multa de R$ 100 mil por dia até o limite de R$ 5 milhões. Como o município ainda está no prazo, a população que esteja prejudicada procure a Defensoria para que a gente possa resolver individualmente cada caso”, explicou o defensor Freddy Alejandro Solorzano.
Não ter acesso a essas medicações pode comprometer a qualidade de vida e também a evolução dos pacientes, segundo o psiquiatra Leonardo Baldaçara.
“Doenças crônicas, um pouco mais severas como a esquizofrenia, transtorno bipobar, transtorno esquizoafetivo são doenças que precisam da medicação para manter estabilidade. O paciente que interrompe esse medicamento pode voltar a ter crises de distorção do senso de realidade, alteração de humor, como pode também ter a vida dele interrompida, com dificuldade para trabalhar, se relacionar com terceiros”, disse.
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O que diz a Saúde Municipal
A Secretaria da Saúde de Palmas disse que os medicamentos dos Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS, adquiridos via requisição administrativa, já foram distribuídos aos pacientes e que um processo licitatório para uma nova compra foi finalizado e logo as empresas farão as entregas ao município. A Secretaria negou a falta de profissionais médicos nos CAPS II e CAPS-AD III.
Veja nota na íntegra:
A Secretaria Municipal da Saúde de Palmas (Semus) informa que os medicamentos dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) adquiridos via requisição administrativa já foram distribuídos aos pacientes. A Semus explica que o processo licitatório para a nova compra foi finalizado. Tão logo as empresas farão as entregas ao município.
A Semus explica que não há falta de profissionais médicos nos Caps II e AD III. O paciente que não tem perfil para os centros é encaminhado para atendimento ambulatorial, que obedece classificação de risco.
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Fonte: G1 Tocantins
