Alunos do distrito de Taquaruçu Grande esperaram por ônibus, mas tiveram que voltar para casa. Segundo a prefeitura, contratos investigados pela PF foram recolhidos, o que prejudicou o andamento dos processos internos e o pagamento à empresa prestadora do serviço. Alunos da zona rural de Palmas ficaram sem aula por falta de transporte escolar
Divulgação
Alunos da zona rural de Palmas ficaram sem aula nesta quinta-feira (17), por falta de transporte escolar. A empresa suspendeu o serviço uma semana após a operação da Polícia Federal, que investiga fraudes em contratos firmados pela prefeitura para a aquisição de kits de materiais escolares e fornecimento de ônibus para os estudantes. Os contratos investigados somam R$ 30 milhões.
A Prefeitura de Palmas informou que a paralisação de parte das rotas do transporte escolar ocorreu por conta de atraso no repasse à empresa Vila Rica. O município explicou que durante a operação os contratos com a empresa foram recolhidos, o que prejudicou o andamento dos processos internos e o pagamento à empresa prestadora do serviço.
A Secretaria Municipal de Educação (Semed) e a Procuradoria Geral do Município (PGM) conseguiram recuperar o contrato do transporte junto à Justiça. Desta forma, os pagamentos deverão ser regularizados ainda nesta quinta, e o transporte dos estudantes normalizado até esta sexta-feira (18), informou a nota.
O advogado Cristiano Lustosa, que representa a empresa, disse que o pagamento não é feito desde junho, por isso, houve falta de combustível e a impossibilidade de executar o serviço. (Veja a nota completa abaixo)
A dona de casa Maria Aline dos Reis saiu de casa cedo para levar a filha, de 8 anos, ao ponto de ônibus, no distrito de Taquaruçu Grande. A menina faz o 4º ano do ensino fundamental, em uma escola de tempo integral localizada a cerca de 4 km da residência.
“Chegamos ao ponto 7h, como de costume, e esperamos até às 7h30, mas nada do ônibus aparecer. Fomos informados de que não teria aula por falta do transporte escolar e todas as crianças voltaram para casa”, disse.
O que diz a empresa
O advogado Cristiano Lustosa informou que o motivo da suspensão é decorrente da falta de pagamento do serviço prestado para a Secretaria de Educação de Palmas e que desde o mês de junho a Secretaria de Educação não efetua os pagamentos do serviço contratado.
Não tivemos condições de colocar combustível nos ônibus, pois os postos conveniados com a empresa estão sem receber e suspenderam o fornecimento do combustível para nós. Os motoristas e monitores estão com os salários atrasados e também não estão querendo trabalhar, enfatizou o advogado.
“Não podemos correr o risco de transportar crianças nessas estradas precárias e ficar no meio do caminho sem combustível. É muito arriscado e perigoso. Desde o início do nosso contrato a secretaria não paga em dia. Costuma atrasar até 2 meses. Ainda acusam a empresa com envolvimento de corrupção e pagamento de propina. o que está sendo demonstrado que a empresa é vítima de todas as acusações e sofre com a incompetência dos gestores públicos”, finalizou o advogado.
As operações da Polícia Federal foram realizadas no dia 10 de agosto para investigar contratos firmados pela Secretaria Municipal da Educação.
Segundo a PF, um dos contratos é relacionado ao transporte escolar, no valor de R$ 19,9 milhões. Pela estimativa, o município estava pagando cerca de R$ 110 mil por dia de contrato, considerando o prazo de 180 dias.
Em outro contrato, a apuração é sobre a compra de kits pedagógicos para escolas municipais. O contrato no valor de R$ 14,9 milhões é alvo porque foi feito sem licitação. Além disso, a polícia também suspeita que houve suposto pagamento de propina para agentes públicos.
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Bolsas com R$ 3,6 milhões e secretário preso
Grande quantidade de dinheiro foi apreendida pela Polícia Federal
PF/Divulgação
Durante o cumprimento de mandado, os policiais localizaram várias bolsas e caixas abarrotadas de dinheiro, totalizando R$ 3,6 milhões. O então secretário de Desenvolvimento Urbano Edmilson Vieira das Virgens, foi preso em flagrante suspeito de lavagem de dinheiro e corrupção. Após a operação, ele foi exonerado do carago.
O imóvel onde o dinheiro foi achado está locado em nome de um primo de Edmilson e fica na ARNE 64 (antiga 508 Norte). O espaço tem sala, cozinha, banheiro social e dois quartos, sendo uma suíte.
Quando os federais chegaram, um dos quartos estava trancado. O primo do ex-secretário estava no apartamento e não tinha a chave do cômodo. Também disse que acreditava que poderia haver objetos íntimos de Edmilson.
Câmeras de segurança do prédio mostram que Edmilson visitava o apartamento com frequência. As imagens indicam que o secretário entrava no local usando mochilas.
Por não ter a chave, os investigadores fizeram a abertura forçada na presença das testemunhas. Dentro do quarto havia um baú com pastas da prefeitura por cima. E dentro havia os mais de R$ 3,6 milhões, armazenados em caixas de papelão e bolsas, além das joias.
Papéis com anotações
Os federais também estiveram na casa de Edmilson, e encontraram indícios de que ele tinha uma estreita ligação com outra investigada, a ex-secretária executiva da Secretaria Municipal de Educação Fernanda Rodrigues da Silva.
Na casa dele havia anotações em papéis timbrados da prefeitura e segundo da PF, pode indicar informações de um possível percentual exigido como propina nos contratos investigados nas duas operações deflagradas.
Também havia uma mochila com o total de R$ 43.950.
Edmilson Vieira atou como secretário da Prefeitura de Palmas desde 2017, na gestão do então prefeito Carlos Amastha do PSB.
Na atual gestão, de Cinthia Ribeiro (PSDB), também exerceu as funções de secretário de transparência e controle interno do município e foi secretário-chefe da Casa Civil antes de assumir a Secretaria de Desenvolvimento Urbano.
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Fonte: G1 Tocantins