Secretário usava primo para alugar apartamento onde guardava R$ 3,6 milhões e joias, diz investigação

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Edmilson Vieira das Virgens tinha passado contrato de locação para nome do parente, mas continuava pagando aluguel. Ele também teria usado conta do primo para transferir R$ 180 mil para terceiros. Grande quantidade de dinheiro foi apreendida pela Polícia Federal
PF/Divulgação
O apartamento onde a Polícia Federal encontrou R$ 3,6 milhões e quase quatro quilos de joias estava alugado no nome de um primo do então secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Serviços Regionais de Palmas, Edmilson Vieira das Virgens. Segundo a investigação, apesar de usar o nome do parente no contrato de locação, era o Edmilson quem pagava pelo aluguel.
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Edmilson foi preso em flagrante suspeito de lavagem de dinheiro nesta quinta-feira (10), durante as duas operações da Polícia Federal que investigam fraude em contratos públicos da Prefeitura de Palmas. Ele foi exonerado do cargo horas depois.
Na manhã desta sexta-feira (11) a Justiça Federal decidiu liberá-lo mediante pagamento de R$ 120 mil de fiança.
Secretário Edmilson Vieira das Virgens
Divulgação/Prefeitura de Palmas
O advogado de Edmilson informou que ainda não irá se posicionar sobre os fatos porque está tomando ciência da investigação. Ao ser abordado pela TV Anhanguera, enquanto saia do Instituto Médico Legal em direção à cela onde passou a noite, o investigado não quis se manifestar.
Além de servidor público, Edmilson também tem uma empresa para vender joias que foi aberta em dezembro de 2022 e tem capital social de R$ 81 mil.
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Apartamento no nome do primo
A investigação da Polícia Federal apontou que o dinheiro e as joias estavam guardados em um quarto de um apartamento ARNE 64 (antiga 508 Norte). O imóvel originalmente teria sido alugado por Edmilson, que depois transferiu o contrato de locação para o nome do primo.
A polícia afirma que ele cedeu o local para o primo morar, mas continuava pagando o aluguel e mantinha trancado o quarto onde estava o dinheiro.
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O então secretário também teria usado a conta do primo, motorista de ônibus que ganha R$ 2 mil por mês, para fazer transferências no valor de R$ 180 mil para terceiros.
“Ademais, no imóvel constava contrato de locação anterior ao atual em nome de Edmilson (alterou para o nome do primo a fim de ocultar a existência do vínculo) e também o próprio primo […] em sua oitiva confirmou que o quarto era acessado somente por Edmilson por razões desconhecidas”, diz trecho da investigação da PF.
Além do dinheiro e das joias que estavam no apartamento, a investigação aponta que a polícia também encontrou R$ 44 mil em espécie e mais pedras preciosas na casa em que Edmilson foi encontrado.
Liberdade mediante fiança
Em decisão desta sexta-feira (11), a 4ª Vara Federal Criminal entendeu que o Edmilson não oferecer riscos à investigação, apesar de manifestação contrária da PF e do Ministério Público Federal.
Foram estabelecidas medidas cautelares como proibição de frequentar quaisquer secretarias municipais ou entrar em contato com os outros investigados.
Dinheiro apreendido pela Polícia Federal em Palmas
Divulgação/PF
A investigação
Ainda não há informação sobre a origem do dinheiro encontrado ou qual a participação do então secretário nos supostos atos de corrupção. Apesar disso, a operação que ele foi alvo investiga a compra de kits pedagógicos para escolas municipais.
O contrato no valor de R$ 14,9 milhões é alvo porque foi feito sem licitação. Além disso, a polícia também suspeita que houve suposto pagamento de propina para agentes públicos.
Segundo a polícia, ele tinha estreita relação com Fernanda Silva e teria indicado ela ao cargo de secretária executiva da Educação para viabilizar o recebimento de propina. A defesa dela ainda não foi encontrada para se manifestar.
Fernanda, conforme a investigação, foi responsável por toda a contratação da empresa que forneceu os kits pedagógicos. O pagamento foi feito com dinheiro do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
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Fonte: G1 Tocantins