Imagens mostram ave se debatendo contra a janela do quarto do hospital onde Siqueira Campos estava internado. Aparição da pomba ocorreu momentos após arcebispo de Palmas ministrar a extrema-unção, relata filho do ex-governador. Pássaro aparece em janela do hospital no momento da morte do ex-governador Siqueira Campos
Uma visita inusitada chamou a atenção da família do ex-governador José Wilson Siqueira Campos, no momento em que ele não resistiu, internado em um hospital particular de Palmas. Uma pombinha apareceu na janela do quarto e ficou se debatendo ‘na exata hora da sua partida’, disse o filho Eduardo Siqueira Campos. (Veja o vídeo acima)
O ex-governador e criador do Tocantins morreu há um mês, no dia 4 de julho, aos 94 anos, após uma infecção generalizada. O político foi internado no dia 29 de junho, sentindo fortes dores em todo o corpo. O quadro de saúde piorou depois que ele foi diagnosticado com quadro infeccioso grave (septicemia) e crise renal aguda.
Para muitos, a presença da pomba pode ser apenas uma coincidência. Para a família, a visita da ave tem um significado importante.
Siqueira era devoto do Divino Espírito Santo e a pomba apareceu momentos após o arcebispo Dom Pedro Brito Guimarães ministrar a extrema-unção, no quarto do hospital. A unção dos enfermos é um sacramento católico dedicado aos enfermos, realizado com óleo.
“Ele esperou Dom Pedro e recebeu a unção. Desci com Dom Pedro já esperando o anúncio da sua morte já que a pressão havia caído a 5/3. Nesse momento, meu irmão Alex percebeu uma pomba se debatendo no vidro de forma insistente, ele demorou a começar o registro, mas logo lembrou-se da presença dos pássaros na vida do pai. Assim obtivemos aquele vídeo, que se deu na exata hora da sua partida. Para quem não crê, uma simples coincidência, para um filho que assistiu toda a história, uma certeza”, enfatizou Eduardo.
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Siqueira Campos e a pomba do Divino Espírito Santo
Siqueira Campos, ex-governador e criador do Tocantins
Divulgação
Ao longo da vida, Siqueira Campos relatou diversos episódios nos quais pombas e outras aves apareciam. Para o político, a presença delas, significava esperança, fé e mudança de vida.
“Ao longo da vida, ele me fez muitos relatos de que a sua mãe, dona Regina, registrava a presença de um pássaro, toda vez que vinha alguma bonança, em meio a tanta fome no árido do sertão nordestino, invariavelmente uma pomba”.
Aos 16 anos, Siqueira Campos deixou a família, no Ceará, para participar de um programa de extração de borracha, na Amazônia. Nesse período, contraiu malária e beribéri, doença que acomete pacientes com deficiência nutricional de vitamina B1. O adolescente foi encontrado quase sem vida. “Disse ele que pássaros cantaram ao seu redor”, relata o filho.
Após a recuperação, o jovem retornou para o nordeste e se deparou com uma realidade diferente. O pai havia se mudado para o Rio de Janeiro após a morte da esposa, mãe de Siqueira Campos, que havia morrido durante o parto. A bebê também não resistiu.
Sem grandes alternativas, ele decidiu ir atrás do pai no Rio de Janeiro, morou nas ruas e dormiu em calçadas. “Nos momentos da maior fome, as pombas estavam sempre próximas a ele, o que confirmava uma mudança por vir”.
Siqueira Campos e a primeira esposa Aureny na construção do Palácio Araguaia
Acervo/Secom Tocantins
Após viajar por vários estados do Brasil em busca de oportunidade, Siqueira Campos se estabeleceu no então norte de Goiás em 1964, no município de Colinas do Norte, atualmente, Colinas do Tocantins.
Ele foi eleito vereador na cidade e depois cumpriu cinco mandatos como deputado federal. No decorrer da vida política, usou a imagem da pomba como símbolo de força e fé.
Quando Siqueira foi eleito vereador de Colinas do Norte e se tornou presidente da Câmara inseriu figura da pomba na bandeira da cidade
Divulgação
“Após a emancipação de Colinas e na sua 1ª eleição, já como vereador escolhido para ser o presidente, coube a ele formalizar a bandeira da cidade e o brasão. Lá ele colocou a pomba do Divino Espírito Santo”.
Durante toda a vida, o político mais importante do Tocantins seguiu valorizando e admirando as aves. Em casa, ele atraÍa e alimentava os pássaros com ração.
“Ele sentado na cadeira identificava cada um deles, sempre contando o que cada um deles representava, a partir do seu canto. Ele detestava gaiolas e tinha nessas visitas dos pássaros, o seu maior prazer diário. Ao longo dos anos, ele passou a imprimir material sempre com a pomba do Divino, até fazer a sua reprodução em material banhado em ouro”.
Broche de pomba, em material banhado a ouro, era usado por Siqueira Campos
Divulgação
O criador do Tocantins
Ex-vereador, deputado, governador e senador, José Wilson Siqueira Campos, foi um político importante, não isento de polêmicas, mas peça chave para o desenvolvimento de uma das regiões mais pobres do país.
Ele foi eleito vereador na cidade de Colinas do Norte e depois cumpriu cinco mandatos como deputado federal. No decorrer da vida política, defendeu a criação de um novo estado, chegou a ser preso e fez greve de fome em favor da causa separatista.
O deputado federal Siqueira Campos apresentou, ao longo de seus mandatos, três projetos para criação do Tocantins, junto com propostas para dividir o território. O último, com a participação do também deputado Raimundo Marinho.
Siqueira Campos lutou pela criação do estado do Tocantins
Reprodução
O Tocantins nasceu a partir de uma emenda publicada na nova Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988.
José Wilson Siqueira foi o primeiro governador do Tocantins. Ele exerceu quatro mandatos no governo: de 1989 a 1991, de 1995 a 1998, de 1999 a 2003 e de 2011 a 2014.
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Fonte: G1 Tocantins
