Primos ou irmãos? Medicina explica como pode ser a genética de filhos de gêmeos idênticos casados com gêmeas idênticas

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Especialistas explicam que filhos de casais formados por gêmeos têm a carga genética de irmãos, mesmo sendo primos. Fisicamente, podem ser parecidos como qualquer outro irmão. Irmãs gêmeas entram na igreja juntas para se casarem com irmãos também gêmeos
Normalmente, primos que são muito unidos, ou até parecidos fisicamente, são considerados primos-irmãos. No caso de pais e tios gêmeos da mesma família, os primos são irmãos mesmo – pelo menos geneticamente falando. É o que pode acontecer com os futuros filhos dos casais Kelly e Marcelo e Kellyane e Maurício, gêmeos idênticos que se casaram em Palmas.
Para entender como é essa história, o g1 conversou com dois especialistas em genética para explicar sobre a formação genética de uma pessoa. O processo começa desde a fecundação.
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Qualquer pessoa é formada por metade dos genes do pai e metade dos genes da mãe. No caso de gêmeos idênticos, os irmãos são desenvolvidos em um mesmo óvulo, o que a medicina chama de ‘univitelino’. Esse processo faz com que essas duas pessoas tenham o mesmo DNA, carreguem basicamente a mesma carga genética, já que se desenvolveram no mesmo óvulo fecundado.
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A diferença genética entre qualquer irmão gêmeo idêntico é mínima. “Antigamente, a gente achava que era 100% igual, mas nos últimos anos, com estudos mais avançados, a gente descobriu que existem diferenças muito pequenas. Então consideramos que é 99,99% igual, digamos assim”, explica a biomédica, biologista molecular e doutoranda em genética médica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Giselle Bianco Bortoletto.
Com isso, os filhos que se formam de dois casais de irmãos gêmeos têm a mesma quantidade de genes que irmãos de quaisquer casais podem ter.
Irmãs gêmeas se casam com irmãos gêmeos
Arquivo pessoal
Quando se tem dois gêmeos, eles compartilham basicamente do mesmo DNA. Esse filho, ou seja, nesse caso, os dois filhos, vão ter 50% do DNA que vem da mãe, 50% do DNA que vem do pai. Se as mães são basicamente iguais, então basicamente a parte genética referente à mãe desses dois filhos vão ser iguais, embora eles sejam primos socialmente falando. Só que geneticamente falando, eles são irmãos, porque metade do DNA veio da mãe e a outra metade veio do pai, e as duas mães e os dois pais são gêmeos univitelinos, ou seja, são idênticos, compartilham do mesmo DNA.
Apesar de ter a genética de irmãos, isso não significa que eles serão fisicamente parecidos. O material genético de cada um deles é o equivalente aos DNAs de quaisquer outros irmãos sanguíneos. Assim, essas pessoas podem não ser parecidas, como qualquer outra relação de aparência de irmãos e irmãs do mesmo pai e da mesma mãe.
A biologia e a medicina explicam isso a partir do processo conhecido como meiose, que é a divisão das células. A partir dessa divisão, “acontece troca aleatória de material genético”, como aponta o médico geneticista e doutor em genética Juarez Inácio.
“O processo de meiose faz com que os genes herdados dos pais sejam combinados de maneira diferentes, o que faz com que irmãos se pareçam, mas não tenham a mesma carga genética. Nesse caso, se os casais [formados por irmãos gêmeos] tiverem filhos, poderão ser muito parecidos entre si, pois é como se fossem irmãos, já que os pais possuem a mesma carga genética, mas não serão idênticos, em razão do processo de meiose”, explica o médico.
Estrutura de DNA
Getty Images via BBC
A pesquisadora em genética médica, Giselle Bianco, completa. “Quando um casal qualquer, sem ser de gêmeos, tem um filho e depois tem outro, este último não vai ser exatamente do mesmo espermatozoide e do mesmo óvulo que formou o irmão. Então, esse segundo filho também vai ter os genes da mãe e do pai, só que esses dois irmãos, não são iguais”, explica a biomédica.
Gêmeos com filhos gêmeos
Kellyane e Kelly entraram na igreja de mãos dadas
Divulgação/Moisés Tavares e Welvas Lacerda
Ao contrário do que algumas pessoas pensam, casais formados por gêmeos não necessariamente têm mais chances de terem filhos gêmeos. Isso porque o processo de fecundação, que determina a quantidade de fetos gerados na gravidez, independe de fator genético.
O que pode acontecer é que as mulheres com caso de gêmeos na família podem ter mais chance de gerar mais de uma pessoa na mesma gravidez. Isso depende da quantidade de um hormônio que pode aumentar de acordo com o número de registros na família. Ainda assim, não é certo que essa mulher engravide de gêmeos, uma vez que são vários fatores biológicos específicos que interferem na fecundação.
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Fonte: G1 Tocantins