Segundo vistoria do Ministério Público, pelo menos 22 medicamentos estão em falta no CAPS-AD, em Palmas. Outras unidades também possuem irregularidades. Palmenses reclamam de falta de remédios, fraldas e outros insumos no município
A falta de medicamentos que devem ser, obrigatoriamente, ofertados pela saúde pública tem prejudicado pacientes da capital. Um deles é seu Antônio, que há quatro anos precisa de cuidados especiais depois de ter ficado paraplégico em um acidente.
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A dona de casa Cristiane Cardoso, irmã de Antônio, é quem cuida do paciente e passa por uma verdadeira saga para conseguir o que ele precisa. Mas nem sempre consegue por não ter nas unidades os remédios de uso contínuo.
“Diazepam, fenitoina, baclofen, risperidona, amitriptilina. Tem que tomar medicamento para dor, para os músculos, para relaxamento muscular. E eu não tenho dinheiro para pagar”, lamentou Cristiane.
Cristiane cuida do irmão Antônio, que ficou paraplégico em um acidente
Ana Paula Rehbein/TV Anhanguera
Somente na tarde desta terça-feira (18), ela caminhou quase 3 km até o ponto de ônibus na região sul de Palmas, onde mora. Depois de enfrentar dois ônibus coletivos, conseguiu chegar à Policlínica de Taquaralto. Ela precisava buscar oito remédios. Mas todo o esforço foi em vão. E sem os medicamentos, ele não consegue dormir.
“Ele fica bastante estressado. Não dorme, a gente não fica calmo dentro de casa porque ele não para de reclamar. Fica constantemente chamando, porque fica desorientado por falta do medicamento tranquilizante. E hoje vai ficar sem medicamento. Só a partir de amanhã se eu conseguir”, explicou a irmã do paciente.
Orimar Santana é outro paciente que não está conseguindo retirar medicamentos que precisa. Ele está desempregado e todo mês luta pra ter acesso aos remédios que deveriam ser ofertados pela rede pública.
“O funcionário só diz que o medicamento não tem, que esse mês não veio e às vezes você pergunta o porquê e [eles dizem] não sei, não chegou, a gente pediu, mas não chegou. Essa dúvida compromete o uso contínuo do medicamento”, reclamou Orimar.
Medicamentos estão em falta na saúde municipal
Ana Paula Rehbein/TV Anhanguera
Fiscalização
Nesta terça-feira (18), membros do Ministério Público estiveram em de unidades de saúde geridas pelo município. Somente no Centro de Assistência Psicossocial, 22 medicamentos estão em falta. Nas farmácias do Município de Palmas, a equipe encontrou diversas caixas de remédios vazias. Mas havia irregularidades em todas as unidades visitadas.
Segundo a promotoria e a Defensoria Pública, faltam remédios de todos os tipos na rede municipal de saúde. Segundo as instituições, o problema se torna cada vez mais recorrente e não há solução mesmo com ações propostas na justiça e ofícios enviados à prefeitura.
“Resolve hoje, passa um mês, dois, e volta a ter o mesmo problema. Falta um planejamento administrativo da Secretaria Municipal de Saúde”, afirmou o promotor Thiago Ribeiro.
Medicamentos em falta no Caps-AD
Ana Paula Rehbein/TV Anhanguera
Por causa dessas irregularidades, a dona de casa Anna Karoline da Silva sofre ao ver a doença degenerativa da filha Ester, de 9 anos, se agravar.
“Esse mês, por exemplo, as ataduras dela não tem. Tenho um papel deles mesmos escrito que não tem. A unidade não forneceu porque a Secretaria da Saúde não tem. As sondas estavam desde dezembro do ano passado sem eles entregarem. O óleo de girassol está prescrito pelo médico e nunca recebeu na unidade de saúde. Todo mês eu que tenho que comprar para ela usar. Mas não tenho essas condições e o pouco que tenho procuro fazer o melhor para ela”, lamentou a mãe.
Para o Defensor Público Freddy Alejandro, o município tem o dever de encontrar uma solução para a falta de medicamentos.
“A Defensoria Pública tem uma ação coletiva que visa buscar junto ao Município a regularização dos medicamentos e das fraldas geriátricas infantis. A questão das fraldas já tem um procedimento de execução da sentença para que o município cumpra e adquira essas fraldas para a população. Os medicamentos e insumos, a gente fez pedidos e está para o juiz manifestar. Não pode haver falta, sob pena de prejudicar o paciente”, destacou o promotor.
O que diz a Semus
A Secretaria da Saúde de Palmas informou que uma licitação para a compra de todos os itens da relação municipal de medicamentos essenciais está sendo finalizada, sendo que as medicações dos centros de atenção psicossocial têm previsão de entrega para a próxima semana.
A respeito das sondas, a Semus informou que as de número 10 e 12 estão disponíveis e que a 8 deve chegar na próxima semana.
A pasta também informou que os tamanhos de fralda que estão em falta serão adquiridos através de uma licitação marcada para o dia 28 de julho.
Veja a nota da Semus na íntegra
A Secretaria Municipal da Saúde de Palmas (Semus) informa que todas as medicações da Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (Remume) estão em processo de finalização do processo licitatório, sendo que as medicações dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) tem previsão de entrega para a próxima semana.
Sobre as fraldas, a Semus informa que dispõe dos tamanhos P adulto e G infantil, sendo que as demais passarão por processo licitatório, marcado para o dia 28 de julho, conforme Diário Oficial do Município (DOM) desta segunda-feira, 17.
A gaze não encontra-se em falta na rede municipal. A respeito das sondas, a Semus explica que dispõe dos números 10 e 12. A de número 08, que é pouco usual, está em processo de entrega, também prevista para a próxima semana.
Sobre a limpeza, a Semus destaca que possui contrato com empresa que fornece produtos e serviços de limpeza para todas as unidades da rede municipal.
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Fonte: G1 Tocantins
