No ano passado, houve uma ameaça de impeachment do presidente, e a vice afirmou que renunciaria. Agora, ela muda o discurso. Dina Boluarte, vice-presidente do Peru, em 22 de julho de 2022
Luis Jaime Cisneros / AFP
A vice-presidente peruana, Dina Boluarte, afirmou, nesta sexta-feira (22), que está disposta a assumir a presidência do país caso Pedro Castillo, investigado por corrupção pelo Ministério Público e isolado politicamente no Congresso, sofra um impeachment.
“Há um mandato que o povo nos concedeu, governar por cinco anos, e essa é a única agenda que temos. Trabalhar nesses quatro anos que restam (do governo) pelos mais vulneráveis, os mais necessitados”, afirmou Boluarte ao ser questionada sobre a possibilidade de assumir a presidência, durante uma coletiva com a imprensa estrangeira credenciada no Peru.
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Pedro Castillo já superou duas tentativas de destituição no Congresso, mas enfrenta uma série de acusações políticas e fiscais. O Ministério Público investiga cinco acusações de corrupção, tráfico de influência e obstrução da Justiça em benefício de seu círculo interno de colaboradores.
Vice fala sobre as investigações
Boluarte afirmou que em várias ocasiões Castillo negou pessoalmente ter cometido qualquer ato de corrupção.
A vice-presidente disse que “as investigações (do Ministério Público) ocorrem dentro do quadro legal, dentro das competências autônomas que as instituições têm, serão respeitadas por nós”.
Boluarte já disse que renunciaria
Em dezembro de 2021, Boluarte havia declarado, enquanto Castillo enfrentava uma segunda tentativa de impeachment no Parlamento, que renunciaria ao cargo, rejeitando assim uma sucessão por mandato constitucional.
No entanto, a própria Boluarte, que atua também como ministra de Desenvolvimento e Inclusão Social, enfrenta possível destituição do cargo após a publicação de um relatório parlamentar acusando-a de supostas irregularidades administrativas. O documento recomenda que ela fique impossibilitada de exercer cargos públicos por anos.
Se Boluarte cair, o líder do Congresso é o próximo na linha de sucessão. Ela reage a isso dizendo que existe uma corrente “de uma minoria no Congresso bastante rápida em querer me desabilitar de maneira expressa; é muito fácil deduzir que a intenção não é fazer justiça, mas sim política”.
A vice-presidente acrescentou que “não nos aceitam, não nos aceitaram, não nos querem e farão todo o possível para derrubar este governo do presidente Pedro Castillo”.
Castillo, um ex-professor de escola rural, venceu as eleições presidenciais em julho de 2021 por uma margem estreita sobre a direitista Keiko Fujimori.
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Fonte: G1 Mundo
