Moradores fazem parte da Associação de Agricultores do Projeto Esperança, em Porto Nacional. Eles alegam que compraram terras e só depois descobriram que os imóveis estavam sendo disputados na Justiça. Moradores de assentamento podem ser despejados a qualquer momento
É da terra que os agricultores do Assentamento Prata, em Porto Nacional, retiram o sustento. Eles compraram os imóveis em 2009, construíram as casas, criaram os filhos e se dedicaram ao plantio. Mas, podem ser despejados a qualquer momento por causa de um processo que corre na Justiça.
Os moradores fazem parte da Associação de Agricultores do Projeto Esperança. Nesta segunda-feira (19), representantes de 120 propriedades do Lote 191 organizaram um encontro para discutir sobre o problema.
Os moradores alegam que compraram as chácaras de terceiros em meados de 2009. Anos depois, descobriram que a área estava sendo disputada na Justiça por herdeiros de um ex-proprietário.
Moradores temem perder imóveis após ordem de despejo, em assentamento de Porto Nacional
Reprodução/TV Anhanguera
“Não conseguimos entender até agora porque existe um documento que a própria Seagro [Secretaria de Agricultura] emitiu falando que a terra é do Estado e que o antigo proprietário não produziu, não fez nada na terra. A gente quer saber porque ele tem esse direito agora de uso de solo”, informou o secretário da associação Fabiano Lima.
Seu José Barbosa é um dos produtores da região. Ele lembra que investiu o que tinha para construção de uma casa e criação de bodes e galinhas. “Não tenho para onde ir com os meus bichos. Estou te falando que eu não tenho”, lamentou.
Os moradores contam que já tentaram se regularizar junto ao Instituto de Terras do Tocantins (Itertins) e junto à Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado. Mas nenhum parecer foi dado. Por isso, eles se surpreenderam com a decisão judicial.
Moradores vivem nas terras há mais de 10 anos
Reprodução/TV Anhanguera
“Até hoje lá no processo o que consta é que aqui são barracos de lona. Você está vendo que não é assim, as pessoas estão vivendo aqui. Algumas abriram mão do que têm na rua, venderam suas casas para investir aqui”, alegou o conselheiro fiscal da associação, Ronaldo Moreira.
Dona Terezinha Pereira que vive há cerca de 12 anos no local se sente injustiçada. “Não tenho nem palavras para definir o que a gente sente porque é muito difícil, é muito duro. A vida do meu esposo é aqui, trabalhando aqui, dia e noite, não saía daqui de jeito nenhum. Hoje saber que podemos perder isso daqui é muito difícil”, finalizou.
A produção da TV Anhanguera procurou o governo estadual para ser informada a respeito das reivindicações dos moradores e aguarda uma resposta.
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Fonte: G1 Tocantins
