Severodonetsk está prestes a cair sob controle da Rússia, e guerra pode durar meses, dizem EUA

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Os russos controlam 70% de Severodonetsk, de acordo com os ucranianos. A cidade está 90% destruída. Tropas russas disparam projéteis em direção a Severodonetsk, em 24 de maio de 2022.
Alexander Ermochenko/ Reuters
A cidade ucraniana de Severodonetsk, um local crucial ao leste do Donbass, está prestes a cair para as tropas da Rússia, em um conflito que poderia se prolongar por “vários meses”, segundo os Estados Unidos.
“Os russos controlam 70% de Severodonetsk”, afirmou Serhiy Haiday, governador da região de Luhansk. Ele afirmou que 90% da cidade está destruída.
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Os principais combates do confronto entre Rússia e Ucrânia são travados atualmente nessa cidade, segundo o porta-voz do Ministério da Defesa ucraniano, Oleksander Motuzianyk.
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O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, disse que a guerra ainda poderia durar “vários meses”, já que a Rússia não parece querer encerrar sua agressão.
Severodonetsk é uma cidade industrial na região de Luhansk. Junto com Donetsk, essa é a área de mineração do Donbass. Depois do fracasso na tentativa de tomar a capital Kiev, a Rússia passou a concentrar a ofensiva nesta parte da Ucrânia.
Mais armas
Diante do avanço das tropas russas, o presidente americano Joe Biden confirmou na terça-feira o aumento da ajuda militar a Kiev para poder “atacar com maior precisão alvos principais”.
Um dirigente do governo dos EUA afirmou que se trata dos sistemas Himars, os quais, sobre veículos leves blindados, podem realizar lançamentos múltiplos de mísseis muito precisos, com um alcance de 80 quilômetros.
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Esses equipamentos fazem parte de um novo pacote de assistência militar à Ucrânia de 700 milhões de dólares.
‘Jogar lenha na fogueira’
Após o anúncio, o governo da Rússia acusou os EUA de “jogar lenha na fogueira”.
“Estas entregas não encorajam a liderança ucraniana a retomar as negociações de paz”, reagiu o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov.
Blinken, o secretário de Estado dos EUA, enfatizou que a Ucrânia lhe deu garantias de que não usará os novos sistemas de mísseis para atacar o território russo. “É a Rússia que ataca a Ucrânia, não o contrário”, disse ele.
Para alguns especialistas, os mísseis Himars podem alterar o equilíbrio de forças no local. Já outros apontam que as tropas ucranianas precisarão de mais tempo para aprender a usá-los.
Todos concordam que podem melhorar o moral dos soldados. “Se souberem que têm armas pesadas, ficarão animados”, disse um combatente.
Referendos em julho?
Um ataque em Sloviansk, a oeste de Severodonetsk, deixou prédios destruídos, três pessoas mortas e outras seis feridas.
Nesta quarta-feira (1º), ao menos uma pessoa morreu e outras duas ficaram feridas em Soledar, entre Sloviansk e Severodonetsk.
Rússia avança na região do Donbass
Um pouco mais ao sul, os separatistas pró-russos afirmam ter cortado uma das duas únicas estradas que levam a Avdiivka, localizada perto de Donestsk e que ainda está controlada por Kiev.
Uma vitória sobre esta cidade facilitaria às tropas russas a tomada de Kramatorsk, cidade estratégica do Donbass ainda controlado por Kiev, cerca de 100 quilômetros mais ao norte.
Por sua vez, oficiais ocidentais de Inteligência apontaram que a Rússia registra “ganhos progressivos e muito constantes”, mas, mesmo depois de tomar Severodonetsk, ainda restariam “muitos outros desafios pela frente”.
Um dos negociadores russos sobre o conflito na Ucrânia, Leonid Slutsky, disse à agência de notícias russa RIA Novosti que os territórios ucranianos conquistados militarmente pela Rússia poderão realizar referendos sobre uma possível anexação a partir de julho.
‘Minimizar o impacto do embargo
Para apoiar Kiev, a União Europeia também enviou armas à Ucrânia e adotou sanções econômicas sem precedentes contra os russos.
Esta semana, os líderes europeus concordaram com um embargo parcial ao petróleo russo e os 27 países do bloco também tentam reduzir sua dependência do gás. Mas o Kremlin garantiu que está tomando medidas para “minimizar” o impacto do embargo graças a uma “reorientação” da economia.
Nesta quarta-feira, o índice de produção industrial da Rússia ficou negativo pela primeira vez desde o início do conflito, segundo dados da agência estatal de estatísticas Rosstat.
Além disso, um comitê de credores da International Swaps and Derivatives Association (ISDA) dos Estados Unidos afirmou que a Rússia não pagou os juros de uma dívida, o que a aproxima ainda mais do default.
Para tentar contornar as sanções, a Rússia também exige o pagamento do gás em rublos e corta o fornecimento aos países que se recusam a fazê-lo. Nesta quarta-feira, Moscou cortou o fornecimento para a Dinamarca. Também o fez com Holanda, Finlândia, Polônia e Bulgária.
A gigante russa Gazprom anunciou que suas exportações de gás para países fora do antigo bloco soviético diminuíram 27,6% entre janeiro e maio de 2022.
As manobras diplomáticas também estão focadas em desbloquear portos ucranianos no Mar Negro e permitir a exportação de centenas de toneladas de grãos que estão bloqueados, alimentando temores de uma crise alimentar global.
“Por favor, não use o trigo, alimento básico, como arma de guerra”, disse o papa Francisco.
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Fonte: G1 Mundo