No berço do chavismo, a indigesta derrota de Maduro

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Vitória da oposição pela segunda vez encerra duas décadas de domínio da dinastia de ex-presidente venezuelano no estado de Barinas e dá novo fôlego aos adversários do regime Apoiadores do oposicionista Sergio Garrido comemoram a certificação de sua vitória na eleição para governador de Barinas
AFP/Federico Parra
Foi bastante dura e simbólica para Nicolás Maduro a segunda derrota eleitoral em dois meses no estado de Barinas, o berço do chavismo. Não apenas por ter encerrado ali duas décadas de domínio da dinastia Chávez, mas porque, desta vez, a máquina do Estado se mostrou ineficaz para arrebatar os votos necessários ao candidato oficial, o ex-ministro Jorge Arreaza.
Apesar da distribuição de eletrodomésticos, botijões de gás e carnês de alimentação aos eleitores, por parte do governo, o candidato opositor Sergio Garrido venceu com uma vantagem de 14 pontos sobre Arreaza, ex-genro de Chávez. No entender do economista Luis Vicente León, presidente do instituto Datanálisis, esta eleição deixa uma grande lição aos venezuelanos – a de recuperar a força do voto como instrumento da luta política.
“O chavismo e o abstencionismo perderam em Barinas. De nada valeram o populismo, a mobilização oficial, o deslocamento militar, o controle institucional ou os ataques virulentos contra quem queria votar. O voto de mais da metade da população do estado matou vários pássaros com uma cajadada só”, observou o analista.
Em uma série de tuítes publicados após o resultado, León admitiu que a Venezuela ainda está longe de uma solução estável, mas ressaltou que a vitória da oposição em Barinas é um símbolo de apoio à participação eleitoral e à articulação em torno de uma campanha, embora em condições desvantajosas.
A oposição venceu também a primeira eleição, em 29 de novembro, anulada, após intervenção de Maduro e do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que inabilitaram a candidatura de Freddy Superlano sobre Argenis Chávez, irmão do ex-presidente.
Na repetição do pleito, mudaram também os concorrentes. Entraram Arreaza, do lado oficial, e Garrido, pela oposição. O primeiro caiu de paraquedas no estado, valendo-se do parentesco com Chávez. O segundo foi escolhido por exclusão, já que os demais opositores foram banidos.
O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, durante entrevista coletiva no Palácio Miraflores, em Caracas, em outubro
Reuters/Leonardo Fernandez Viloria
Após a surpresa de novembro, o governo desembarcou em Barinas com um aparato de 25 mil militares para dar conta de 540 seções eleitorais, além de dezenas de ônibus de estatais, lotados de servidores.
A costumeira ação intimidatória não surtiu o efeito esperado. Arreaza não venceu nem em Sabaneta, a cidade onde nasceu Chávez. O triunfo em Barinas deixou a sensação de começo do fim e deu novo fôlego aos opositores para convocar este ano um referendo revogatório sobre o mandato de Maduro.

Fonte: G1 Mundo