Extrema direita tenta reescrever a violenta invasão do Capitólio como ato patriótico

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Plataformas conservadoras são inundadas por infundadas teorias da conspiração para inocentar Trump e seus seguidores. No aniversário da invasão do Capitólio, Biden faz duro discurso atacando Trump
No primeiro aniversário da invasão do Capitólio, sites e emissoras que alimentam as mentes da extrema direita nos EUA se dedicaram a reescrever, com mentiras, o mais violento ataque à sede do Congresso por multidão de seguidores do ex-presidente Donald Trump. Proliferaram versões fantasiosas, minimizando ou zombando dos atos de vandalismo que naquele 6 de janeiro deixaram sete mortos e mais de 150 feridos.
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Teorias da conspiração concentraram-se na tese de que o motim foi orquestrado pelo FBI e que agentes federais e outros infiltrados armaram os manifestantes. E na crença de que a eleição de Joe Biden foi roubada e os democratas são traidores.
Foto de 6 de janeiro de 2021, dia da invasão ao Capitólio dos EUA, mostra policiais conversando com apoiadores do então presidente americano, Donald Trump, incluindo Jacob Chansley (à direita), do lado de fora do plenário do Senado
Manuel Balce Ceneta/AP
Comentarista de maior audiência da Fox News e defensor fervoroso do ex-presidente, o apresentador Tucker Carlson combateu os que chamaram a invasão de ataque terrorista ou de insurreição. A rebelião, segundo ele, foi um ato de patriotismo.
Por esta razão, Carlson confrontou duramente o senador republicano Ted Cruz, que havia classificado os insurgentes como terroristas. “Desde o início, CNN, Político, The Atlantic e todos os âncoras cabeças-de-vento têm chamado o 6 de janeiro de insurreição. Não foi uma insurreição”, resumiu o comentarista.
As mentiras deslavadas que inundaram estas plataformas tinham como objetivo atacar o presidente Joe Biden e absolver Trump e seus partidários. Para os propagadores de fake news e revisionistas do ataque ao Capitólio, como Carlson, a perseguição aos manifestantes acabou criando uma classe de “mártires patriotas”.
“Fingir que um protesto foi na verdade um golpe fracassado é uma estratégia do Partido Democrata para vencer as eleições de meio de mandato deste ano. Neste ponto, é tudo o que eles têm”, atestou o comentarista da Fox.
Em seu podcast “War Room”, Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca e conselheiro do ex-presidente, deu voz à deputada Marjorie Taylor Greene, eleita como representante do movimento QAnon e que foi expulsa do Twitter por disseminar informações infundadas sobre a vacina contra a Covid-19.
Ela atribuiu a responsabilidade do ataque aos democratas, à polícia do Capitólio e ao governo federal. Outro bastião da direita alternativa, o site Breitbart, que já foi dirigido por Bannon, dedicou-se a classificar o aniversário da invasão como “dia da histeria democrata”.
Numa manobra radical da realidade, um dos dias mais sombrios da democracia americana foi vergonhosamente lembrado por negacionistas como um símbolo de patriotismo. E os indiciados pelo Departamento de Justiça por depredar a sede do Congresso, perseguir congressistas e agredir policiais foram retratados como vítimas ou prisioneiros políticos.
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Fonte: G1 Mundo