Líder religioso foi preso em uma propriedade rural no interior do Tocantins. Ele não resistiu à prisão e foi levado para a unidade penal de Gurupi, onde ficará aguardando transferência. Pastor investigado por golpes em fiéis não comenta os suspostos crimes a ser preso
O pastor Osório José Lopes Júnior, de 43 anos, está preso na Unidade Penal de Gurupi, no sul do Tocantins, aguardando transferência para o Distrito Federal. Quando chegou ao Instituto Médico Legal, ele foi questionado pela reportagem da TV Anhanguera sobre o suposto esquema que prometia lucros de ‘um octilhão’ de reais.
A resposta foi: “A justiça provará para vocês. Não tenho nada a falar.” (Veja no vídeo)
O religioso era considerado um dos líderes do grupo que foi alvo de uma operação da polícia do DF na quarta-feira (20). O golpe financeiro era baseado em uma teoria conspiratória conhecida como “Nesara Gesara” e os suspeitos prometiam lucro impossível aos fiéis.
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O g1 questionou a Secretaria de Cidadania e Justiça (Seciju), responsável pelos presídios, sobre a transferência dele pela polícia do Distrito Federal, mas a pasta disse que não pode passar informações por questões de segurança.
Osório José foi encontrado na zona rural de Sucupira, região sul do Tocantins, em um rancho que seria de um parente dele. A prisão foi feita por agentes da 8ª Divisão de Combate ao Crime Organizado. O pastor estava com um segurança, mas não resistiu à prisão.
Pastor Osório José Lopes Júnior
Instagram/Reprodução
“A Polícia Civil do Distrito Federal entrou em contato com a 7ª Delegacia da Polícia Civil de Gurupi informando das circunstâncias e de que havia a possibilidade de ele estar aqui na região, pois tinha alguns familiares que residem na cidade de Figueirópolis”, explicou o delegado Rafael Falcão.
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Buscas
Considerado foragido, Osório era procurado desde quarta-feira, quando a operação foi deflagrada. A Polícia Civil do Tocantins recebeu informações do DF de que havia a possibilidade dele estar escondido, a princípio, na cidade de Figuerópolis.
Nas buscas e trabalhos de campo, os policiais da Divisão de Combate ao Crime Organizado constataram que Osório estava em um rancho às margens do Rio Santa Teresa, na zona rural de Sucupira.
Osório é investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, sonegação fiscal e estelionatos praticados por meio cibernético.
Além de Osório, também foi presa nesta quinta-feira (21) Maria Aparecida Gomes Barbosa, 63 anos, pastora missionária suspeita de envolvimento no esquema. Ela foi localizada em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, na casa da filha.
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Quem era o pastor
Osório é acusado de aplicar golpes em fiéis de Goianésia, no centro de Goiás, e demais pessoas de vários estados do país, em 2018. À época, ele e outro pastor alegavam que haviam ganhado um título de R$ 1 bilhão, mas precisavam reunir fundos para conseguir recebê-lo.
Ainda em 2018, o homem chegou a ser preso, mas respondia ao processo em liberdade. A sentença ainda não foi proferida pela Justiça. Após ser liberado da prisão, Osório se mudou para São Paulo.
A investigação da Polícia Civil descobriu que o líder religioso chegou a arrecadar cerca de R$ 15 milhões com o golpe. Para uma das vítimas, prometeu repassar mais de R$ 2 quatrilhões.
O pastor Osório usava as redes sociais para anunciar o esquema. Ele tem um canal no YouTube com mais de 70 mil inscritos e cerca de 500 vídeos publicados. Nas pregações, pedia dinheiro para a “operação”. Segundo ele, em alguns dias, todos receberiam “aquilo que era o de direito”.
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O líder religioso afirma que participa do chamado “Projeto Redenção”, que teria sido criado aproximadamente em 1940, pelos Estados Unidos e na China. Em seguida, 209 países se uniram — incluindo o Brasil — para agregar bens de alto valor, como ouro, prata, diamante, pedras preciosas.
O que diz a defesa
Em nota, a defesa do pastor informou que ainda não teve acesso aos autos e que precisa ver o fundamento da decretação da prisão para depois requerer a revogação. Se for indeferida, irá impetrar um habeas corpus.
Na quarta-feira (20), a defesa do pastor afirmou que ele não tem nada a ver com as investigações contra o grupo e que Osório não sabia de nenhum mandado de prisão contra ele, pois “está viajando em lua de mel”. Além disso, detalhou que desconhecia as acusações.
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Fonte: G1 Tocantins
