Governo cria comissão para avaliar necessidade de transferências das UPAs de Palmas para o HGP

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Segundo o Estado, objetivo é garantir que pacientes encaminhados ao HGP sejam realmente de média e alta complexidade. Governo também disse que vai disponibilizar área para hospital municipal. Hospital Geral de Palmas é o maior do estado
André Araújo/Governo do Tocantins
Após a recente crise envolvendo o setor de regulação do Hospital Geral de Palmas (HGP), o governo do Tocantins decidiu criar uma comissão técnica para atuar diretamente nas Unidades de Pronto Atendimento da capital. Em um ano 42 pacientes morreram esperando vagas no HGP, maior hospital público do estado.
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O g1 pediu posicionamento para a Secretaria Municipal de Saúde de Palmas sobre as medidas anunciadas pelo Estado e aguarda posicionamento.
A medida foi anunciada nesta quarta-feira (17) após uma reunião realizada na terça-feira (16) entre o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), o secretário de saúde Afonso Piva e a equipe de regulação do HGP.
Essa comissão técnica será formada por médicos e enfermeiros. O principal objetivo, segundo o governo, será garantir que pacientes encaminhados ao HGP sejam realmente de média e alta complexidade.
Em entrevistas recentes à TV Anhanguera, o secretário de saúde afirmou que grande parte dos pacientes recebidos no HGP poderiam ser atendidos nas UPAs. O município, por outro lado, alega muita demora na regulação e por causa pacientes em estado grave têm morrido esperando vaga no hospital geral.
Reunião debateu situação da regulação do HGP
Esequias Araújo/Governo do Tocantins
Além da criação da comissão, o setor de regulação deverá ser monitorado pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) em conjunto com a Secretaria da Saúde.
“Queremos uma análise da complexidade de cada paciente, porque temos uma sobrecarga e precisamos que os pacientes encaminhados sejam realmente classificados na média e alta complexidade, como manda a lei”, disse Wanderlei.
Outra medida anunciada pelo governo foi a disponibilização de uma área para construção do Hospital Municipal de Palmas. Esse terreno previsto tem 48 mil metros quadrados e fica na quadra 1.301 Sul, nas proximidades do Hospital de Amor e do novo Hospital da Mulher e Maternidade Dona Regina.
O estado não indicou nenhum convênio ou recursos para a obra.
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Entrada da Unidade de Pronto Atendimento da região Sul de Palmas
Raiza Milhomem/Secom Palmas
Entenda
A crise no setor de regulação da Secretaria de Estado da Saúde (SES) piorou em novembro de 2021, quando o estado resolveu fechas as portas do HGP por causa da superlotação e implantou um novo sistema de regulação.
Em um ano, 42 pacientes que estavam nas Unidades de Pronto Atendimento de Palmas morreram na fila da regulação esperando por uma vaga no HGP ou outra unidade com estrutura para atender casos mais graves.
O levantamento foi feito pela direção das UPAs e os dados são referentes ao período entre maio do ano passado até o dia 11 deste mês.
Na semana passada a empregada doméstica Aurilene Lima da Silva, de 41 anos, morreu com suspeita de dengue hemorrágica após ter o pedido de transferência para o HGP negado três vezes.
Desde então, o setor foi alvo de várias polêmicas. Na semana passada os secretários de saúde do estado e do município chegaram a debater a responsabilidade de cada um em entrevista à TV Anhanguera.
Nesta segunda-feira (15), a procuradoria-geral de Justiça do Ministério Público resolveu abrir uma investigação para apurar a responsabilidade criminal pelas mortes dos pacientes. O pedido foi feito pela Defensoria Pública.
Também nesta segunda-feira (15) a Justiça deu um prazo de 48 horas para a SES apresentar informações sobre a regulação de pacientes em uma Ação Civil Pública proposta pela Prefeitura de Palmas.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Fonte: G1 Tocantins