Servidores denunciam que partos feitos são com materiais inadequados no Dona Regina: ‘Situação que sabe que vai dar errado’

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Faltam diversos materiais e profissionais na unidade. Vistoria identificou problemas no ano passado e irregularidades continuam neste mês. Maternidade Dona Regina acumula denúncias de falta de médico e insumos
Profissionais de saúde não estão conseguindo trabalhar conforme os protocolos necessários no Hospital e Maternidade Dona Regina, em Palmas. Isso porque faltam materiais mínimos, como fios de suturas para cesáreas e até o chamado campo estéreo adequado para partos. A situação é tão séria, que no último ano, 12 médicos deixaram de atuar na maternidade por falta de estrutura.
“Para fazer uma cirurgia na paciente falta campo estéreo adequado. A gente chega a usar material de cureta para fazer uma cesariana. Falta compressas adequadas. As compressas são minúsculas, do tamanho de uma gaze, que aumenta muito o risco de se perder dentro da cavidade do paciente”, denunciou uma servidora, que preferiu não se identificar.
Hospital Maternidade Dona Regina, em Palmas
Reprodução/TV Anhanguera
Para a realização de partos, são necessários fios de espessuras específicas. Mas até isso falta no estoque do Dona Regina. Com esse problema, os profissionais precisam ‘imporvisar’ e usar o que tem disponível.
“A gente vai fazendo cirurgia com outro tipo de fio. Por exemplo, no útero, eu tenho que usar o vicril ou o cromado da espessura número 1, não tem o 1. ‘Ah, então traz o zero’. Então, a paciente tem mais risco de ter um sangramento maior, né?”, explicou a servidora.
A maternidade faz, em média, 600 partos por mês. Além de receber as grávidas do estado, também recebe mamães de cidades do Pará e do Maranhão, onde não há outros hospitais públicos.
Fiscalização
Em outubro de 2022, os Ministérios Públicos Estadual e Federal e a Defensoria fizeram uma inspeção em vários setores no prédio. Foram identificadas diversas irregularidades na unidade hospitalar.
Na segunda-feira (16), as equipes retornaram ao local, mas os problemas continuam. A promotora Araína Cesárea informou que acionou a Justiça e que pediu novas providências dentro de uma ação que já havia sido proposta.
Nesta quinta-feira (19), a Justiça deu 24 horas para que o governo estadual resolva os problemas de desabastecimento do hospital.
O que diz a SES
Sobre as denúncias no Dona Regina, o secretário de Saúde Afonso Piva reconheceu a alta demanda na unidade, e que busca soluções em outros hospitais do estado como o Padre Luso.
Também disse que haverá andamento no projeto do Hospital da Mulher e que com adequações no Hospital Geral de Palmas para receber alguns serviços da maternidade, o Dona Regina vai receber melhorias.
Sobre a questão da falta de médicos, ele disse que o estado liberou a contratação de mais profissionais. Com relação à falta de materiais, o secretário explicou que há dificuldade em conseguir insumos por causa do recesso de fim de ano de fornecedores.
“Nós empenhamos no final de dezembro e as indústrias estão voltando agora. Provavelmente nos próximos 10 ou 15 a gente já regulariza esses problemas”, disse.
Secretário de saúde do TO se posiciona sobre denúncias no hospital Dona Regina
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Fonte: G1 Tocantins