‘Quando olho para ele, vejo ela’, diz pai que cuida do filho de 1 ano após esposa morrer de Covid-19

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O turco Metehan Çakmak era casado com a influenciadora Nádia Guerra, que morreu em março de 2021 por complicações da doença logo após dar à luz. Mais de 40 mil crianças e adolescentes perderam as mães na pandemia e especialistas falam sobre as consequências desse trauma. Mais de 40 mil crianças e adolescentes perderam as mães por causa da Covid-19
O pequeno Efraim, de um ano e dez meses, nasceu no período em que a pandemia estava com altos índices de infecções e mortes na capital e em todo o mundo. Sua mãe, a influenciadora Nádia Guerra, de 37 anos, contraiu o coronavírus e morreu logo após uma cesariana que trouxe ao mundo o bebê. O esposo, Metehan Çakmak, agora cria o bebê com ajuda da família.
Com tão pouca idade, Efraim está dentro de uma triste estatística, a dos órfãos da Covid. Segundo uma pesquisa realizada pela Fiocruz em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), 40.830 crianças e adolescentes ficaram nessa situação nos dois primeiros anos da pandemia.
Metehan e Efraim, que nasceu em Palmas, hoje moram na Turquia
Divulgação/Instagram
Metehan relembrou os momentos logo após a perda. “Eu tive que lidar com a perda da minha esposa, que era tudo para mim, e ao mesmo tempo me manter firme para criar o Efraim. Eu estava sozinho, era fora do meu país de origem e tendo que lidar com um luto que me dilacerava”.
Nádia era cadeirante, atuava como digital influencer e fazia sucesso nas redes sociais. Conheceu o marido pela internet. Era muito conhecida em Palmas, onde morava também com sua outra filha, que assim como o irmãozinho, ficou órfã.
Depois da morte da esposa, Metehan, que natural da Turquia, retornou à sua terra natal para criar Efraim perto de sua família.
“Quando eu olho para ele, eu vejo ela. Quando abraço, vejo ela, quando eu beijo, vejo ela. Tem muita coisa que eu quero que ela veja também. Mas eu sei que ela está vendo”, contou.
Nádia Guerra teve Covid durante a gravidez e não resistiu
Reprodução/Instagram
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Mortalidade materna
A pesquisa apontou que a doença aumentou a taxa de mortalidade materna em 37% e utilizou dados do sistema de informação de óbitos no Brasil. Segundo o coordenador do Observa Infância Da Fiocruz Cristiano Boccolini, o objetivo da pesquisa é chamar atenção para a necessidade de políticas públicas para essas crianças.
“E aí a gente ter não só condições de subsistência digna e mínima, mas também que essas crianças e adolescentes tenham apoio social e psicológico suficiente para ajudá-las a superar e tirá-las dessa situação de vulnerabilidade extrema”, explicou.
A doutora em psicologia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Iolete Ribeiro da Silva explicou que há impactos na vida dos menores que ficaram em o apoio materno.
“Correm riscos de ampliação da vulnerabilidade. Seja do risco de sofrer alguma violência ou mesmo de perder o acesso a outros direitos, que é o caso da educação. Além de uma maior vulnerabilidade ao abandono ou à solidão”, afirmou.
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Fonte: G1 Tocantins