Veja histórias de pessoas que vivem as marcas deixadas por acidentes de trânsito. Esta é a primeira reportagem da série que será exibida pelo Jornal Anhanguera 1ª Edição. A violência no trânsito do Estado matou mais de duas mil pessoas nos últimos cinco anos
Um trânsito violento deixa marcas, algumas visíveis como os destroços de um acidente e os hematomas de um corpo machucado. Outras, como a perda de um ente querido, não vão cicatrizar e só quem foi marcado sente a dor.
Esse é o caso da Rosetânia Vieira Borges dos Santos e dos quatro filhos, que ficaram órfãos de pai. O marido dela, Willian, estava em uma moto após sair da igreja. No caminho se envolveu em um acidente e nunca mais voltou para casa.
“Quando nós casamos foi isso que falamos, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Foi assim nosso casamento, lado a lado todo o tempo, um companheiro do outro nos bons e maus momentos. Eu pensei que ia durar um pouco mais, não imaginaria que tão cedo ia acontecer esse até que a morte nos separe”, disse a confeiteira.
Primeiro veio o desespero, muitas lágrimas e o luto. A família ainda está se reerguendo, trilhando um processo que é muito lento e doloroso. “Até hoje eu penso que vou acordar a qualquer momento, que foi só um pesadelo. Até acostumar, ainda estou na fase de adaptação de saber que ele não vai mais voltar”, disse.
A assistente social Delacir Bezerra também foi marcada pelo trânsito. Há oito meses ela perdeu o filho que tinha apenas 18 anos e toda uma vida pela frente. “Ele era meu companheiro, meu parceiro. Nós dois éramos um cuidando do outro o tempo todo. Às vezes acho que ele cuidava mais de mim do que eu dele”, lembrou.
Rose perdeu o marido em acidente de trânsito
TV Anhanguera/Reprodução
O trânsito no Tocantins tem feito uma coleção cruel. O número de acidentes é assustador: só em 2022, até o mês de agosto, foram 2.071 acidentes. Desse total, 116 pessoas morreram e Palmas é a cidade com mais registros.
Cada acidente de trânsito movimenta uma grande equipe de socorro, desde os paramédicos do Samu até as unidades de pronto atendimento, UPAs e nos casos mais grave os hospitais de referência como o HGP, em Palmas.
Cada paciente da ortopedia acaba custando, em média, R$ 880 por dia. Em casos envolvendo cirurgias, a vítima pode precisar de mais de um procedimento e tempo de recuperação. Se esse acidentado ficar 30 dias internado, o poder público vai precisar gastar mais de R$ 26 mil com uma única pessoa.
“Praticamente 60% a 70% dos pacientes que desaguam aqui no HGP são ortopédicos. A grande maioria de acidentes de trânsito. Então ocupo um leito, muitas vezes de fazer uma cirurgia geral, neurológica, outros tipos de cirurgias e cirurgias eletivas”, disse o secretário de saúde Afonso Piva.
Uma pessoa que se envolve em acidente vai percorrer alguns caminhos. No melhor dos cenários vai ter sorte, não vai se machucar e vai poder seguir a vida tranquilamente. No pior dos casos o caminho vai terminar no cemitério. Em todo estado, de 2017 até 2021 foram 46 mil acidentes e 2.460 mortes.
O caminho da pessoa que se feriu vai se chocar diretamente com a economia, sendo afastada do trabalho ou ficando incapacitada. Em todos os casos, o destino é a fila do Instituto Nacional de Previdência Social (INSS).
Esta é a primeira reportagem de uma série sobre o trânsito que está sendo exibida pelo Jornal Anhanguera 1ª Edição. Veja a reportagem completa no vídeo acima.
Acidentes de trânsito custam caro para os cofres públicos
Reprodução/TV Anhanguera
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Fonte: G1 Tocantins
