Estado nomeia novo chefe para Unidade Penal de Palmas após morte de jovem inocente que ficou 15 dias passando mal na unidade

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Mudanças no comando do presídio acontecem uma semana após a morte do jovem Briner de Cesar Bitencourt. O policial penal Cícero Alexandre de Lacerda assume a função. CPP – Casa de Prisão Provisória de Palmas
Reprodução/TV Anhanguera
O novo chefe da Unidade Penal de Palmas (UPP) será o policial penal Cícero Alexandre de Lacerda. Ele assume o cargo após a saída de Thiago Oliveira Sabino de Lima, que pediu dispensa da função uma semana após a morte do jovem Briner de Cesar Bitencourt, de 22 anos.
Briner ficou quase 15 dias passando mal dentro do presídio e a família não foi informada. Ele foi inocentado da acusação de tráfico de drogas no dia 7 de outubro, mas continuou preso por dois dias e morreu no dia que seria solto.
Os atos com a troca de comando da UPP foram publicados no Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira (17) e assinados pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos).
Thiago Oliveira Sabino deixou o cargo por “motivos pessoais e de saúde”.
Briner de Cesar Bitencourt, de 22 anos, morreu no dia em que seria liberado do presídio
Arquivo pessoal
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Cícero Alexandre de Lacerda, que assume a função, é servidor efetivo e já chefiou a Unidade de Segurança Máxima de Cariri, no sul do estado.
A Secretaria de Cidadania e Justiça (Seciju) afirmou que “a troca de comando não afetará o andamento da Sindicância aberta para apurar detalhadamente a morte de Briner Bittencourt de 22 anos, ocorrida no último dia 10 de outubro”.
Após a morte de Briner, representantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Tocantins (OAB-TO) estiveram na Unidade Penal de Palmas (UPP) para ver as condições do local e conversaram com detentos, inclusive os que dividiam a cela com o jovem que morreu no dia que seria solto.
Entenda o caso
Briner foi preso em outubro de 2021 pela acusação de tráfico de drogas durante uma batida policial na casa onde alugava um quarto. Todo o tempo em que ficou preso, tentou provar sua inocência.
Antes de ir para a prisão injustamente, ele trabalhava como entregador por aplicativo e fazia vídeos engraçados nas redes sociais sobre rua rotina como como motoboy.
Há pelo menos 15 dias, ele passou a sentir dores pelo corpo e segundo a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), responsável pelos presídios e detentos do Tocantins, o quadro de saúde piorou na noite de domingo (9) para segunda-feira (10). Ele foi levado para uma UPA da capital, mas não resistiu.
A sentença que determinou a inocência do jovem saiu na sexta-feira (7), mas ele ainda estava na Unidade Penal de Palmas (UPP) porque ainda não tinha um alvará de soltura. O documento só saiu na segunda-feira, mas Briner já estava morto.
O Tribunal de Justiça Tocantins assumiu que houve falha no processo de Briner de César Bitencourt. “Houve falha. […] Houve um erro terrível e isso é incompatível com a mais elementar ideia de justiça. A expectativa é que o estado tocantinense, como um todo, assuma isso perante a família”, disse o juiz auxiliar do Tribunal de Justiça do Tocantins, Océlio Nobre da Silva.
O corpo de Briner foi enterrado na quarta-feira (12). Familiares e amigos fizeram um protesto para cobrar respostas sobre a morte.
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Fonte: G1 Tocantins