Celebrado no Ocidente pelo fim da URSS, Gorbatchev é detestado na Rússia pelo mesmo motivo

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Movimento político deixou o nome de Gorbatchev marcado na história do mundo. Mikhail Gorbachev, último líder da União Soviética, morre aos 91 anos
Mikhail Gorbachev morreu nesta terça-feira (30), aos 91 anos, de uma “doença grave e longa”, confirmou o Hospital Central onde o ex-líder russo estava sendo tratado. Sua morte ocorre em meio à ofensiva do atual presidente russo, Vladimir Putin na Ucrânia, denunciada no Ocidente como um ressurgimento do imperialismo russo.
A imprensa francesa desta quarta-feira repercute a morte de Gorbatchev, o último dirigente soviético e uma das principais figuras políticas do século XX.
O reformador da União Soviética morreu em Moscou. “Ele foi um dos artífices do fim da guerra fria e morre em pleno conflito na Ucrânia”, diz a matéria do Le Parisien.
Mikhail Gorbachev faz sua primeira aparição ao público em Moscou após sofrer tentativa de golpe e ser mantido refém por três dias
Stephane Bentura/AFP/Arquivo
Com sua política de “perestroika”, ele tentou modernizar um país paralisado, analisa o Libération. “Coqueluche entre os ocidentais”, prêmio Nobel da Paz em 1990, ele assistiu, após a queda do muro de Berlim, ao desmoronamento do sistema comunista, diz o jornal que destaca que o líder é visto de maneiras opostas pelos países ocidentais e na Rússia.
Celebrado no Ocidente por ter posto fim à guerra fria, Gorbatchev é acusado pelos russos de ter vendido a “pátria aos americanos”, enquanto os soviéticos passavam “a vida em intermináveis filas para comprar artigos de primeira necessidade”. Sob seu governo, milhões de soviéticos descobriram liberdades sem precedentes, mas também a escassez, o caos econômico e as revoltas nacionalistas que fariam soar a sentença de morte da URSS, que muitos de seus compatriotas nunca perdoariam.
O jornal traça o percurso do líder, desde a sua infância, filho de agricultores, até a sua acensão ao Kremlin. Ambicioso e gestor eficaz, Gorbatchev incarnava a esperança de renovação de um sistema decrépito, afirma o Libé.
Mikhail Gorbachev e a premiê britânica, Margaret Thatcher, posam durante visita do líder soviético à Inglaterra em dezembro de 1984
Reuters/Stringer/Arquivo
Defendendo a reconstrução (perestroika) e a transparência (glasnost), Gorbatchev se lança em uma reforma profunda da gestão econômica do país para criar uma economia de mercado decentralizada dentro do Partido Comunista.
“Mais tático do que estrategista, o ex-tecnocrata sonhava com um socialismo humano”, diz o “Le Figaro”. O diário acrescenta que, por sua defesa da União Soviética e do comunismo, Gorbatchev será lembrado como um reformador excepcional, cuja fraqueza era ser o último dos soviéticos.

Fonte: G1 Mundo