Em vídeo de depoimento, Ruan Pamponet sorri e debocha da quantidade de passagens pela polícia: ‘Não há como negar’

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Homem conhecido como golpista do restaurante teve a prisão preventiva determinada após dar prejuízo de R$ 5,2 mil em estabelecimento de Palmas. Ele tem dezenas de passagens por fraude em pelo menos oito estados e no DF. Ruan Pamponet sorriu da quantidade de passagens que tem pela polícia
Quando foi levado à delegacia após cometer seu último golpe, em Palmas, Ruan Pamponet Costa sorriu e debochou ao ser questionado pelo delegado sobre quantas passagens tinha pela polícia. O golpista do restaurante, como vem sendo chamado, é suspeito de aplicar dezenas golpes em pelo menos oito estados e no Distrito Federal desde 2014.
Ruan foi preso na noite da última quinta-feira (21) após dar um prejuízo de R$ 5,2 mil em um restaurante da Praia da Graciosa, em Palmas. O crime aconteceu apenas dois dias após ele sair da cadeia em Goiânia (GO) por aplicar o mesmo golpe e fingir passar mal para não pagar uma conta de R$ 6 mil.
Ruan Pamponet sorrindo durante depoimento
Reprodução
O g1 e a TV Anhanguera tiveram acesso ao vídeo do depoimento prestado na 1ª Central de Flagrantes de Palmas. Diante de tantos golpes o delegado Rodrigo Saud Auturiano, responsável pelo caso, afirmou que ele não tem respeito pelas instituições e pediu a prisão preventiva. O pedido foi aceito pela Justiça no fim da semana passada.
Delegado: Você tem passagens pela polícia?
Ruan Pamponet: Tenho sim.
Delegado: Você consegue mensurar quantas?
Ruan Pamponet: Não (risos).
Delegado: Vou matar sua curiosidade. Aqui na consulta do sistema você tem 15, todas por crimes envolvendo algum tipo de fraude.
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O Rodrigo Saud explicou ao g1 que pode haver divergência no número de registros porque possivelmente o sistema não esteja totalmente integrado com todos os estados. Segundo levantamento do Fantástico, o número total de boletins de ocorrência chega a 40 fraudes em todo país.
Ainda durante o depoimento, o delegado questiona os motivos de ter aplicado o golpe e Ruan confessa:
Delegado: Você deseja permanecer em silêncio ou responder às perguntas?
Ruan Pamponet: Bom, na verdade não há como negar os fatos, né? O crime realmente foi cometido. Nada mais a falar.
Perfil ‘encantador’
Ruan Pamponet foi preso em Palmas após aplicar golpe em restaurante
Pedro Barbosa/TV Anhanguera
A gerente do estabelecimento em Palmas que foi vítima do suposto golpista do restaurante, Ruan Pamponet Costa, contou que o suspeito falava muito bem e tem um perfil “encantador”. Ele ficou por aproximadamente cinco horas comendo e bebendo, além de dividir os produtos com pessoas em outras mesas.
O homem pediu frutos do mar, garrafas de whisky de até R$ 1,5 mil, gin importado, energéticos e cervejas. O prejuízo foi de R$ 5,2 mil em produtos e serviços.
Ruan era agradável e educado com os garçons, permanecendo calmo até mesmo na hora de dar o calote. “Tem um perfil consideravelmente encantador porque ele tem postura, é um cara de postura, fala muito bem. Em nenhum momento demonstrou agressividade. Então, ele não demonstrava perigo”, comentou a gerente Sara Silva.
Prisão preventiva
Ruan teve a prisão preventiva – que não tem um prazo determinado – decretada na sexta-feira (22). Para a polícia, ele não tem respeito pelas instituições e as medidas aplicadas até agora não o impediram de continuar cometendo os golpes. Segundo a polícia, ele afirmou que não vai parar com os calotes.
Ele está preso na Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPP) e já foi indiciado pela Polícia Civil pelo crime de estelionato. O caso está sendo acompanhado pela 3ª promotoria de Justiça. O Ministério Público afirmou que aguarda o envio do inquérito pela polícia para se manifestar.
Comanda de produtos consumidos pelo suspeito
Reprodução
O que diz a defesa
O advogado Clevison Bezerra, que defende Ruan neste e em outros processos pelo mesmo crime, afirmou que o fato imputado ao cliente não se enquadra como estelionato, mas no crime de tomar refeição em restaurante sem dispor de recursos para pagamento, previsto no artigo 176 do Código Penal.
O crime citado pela defesa tem uma pena bem mais branda que o estelionato, sendo prevista uma detenção simples de até dois meses ou multa.
O advogado também afirmou que o caso se enquadraria no princípio da insignificância, pois o restaurante que sofreu o prejuízo é frequentado por pessoas de posse e esse valor seria insignificante diante do faturamento.
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Fonte: G1 Tocantins