Alunos da Serra da Lopa em Miracema seguem aguardando início do ano letivo em 2022

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Escola recebeu demão de tinta e portas novas após reclamação de pais, mas nada das aulas começarem. Unidade fica na zona rural a aproximadamente 60 quilômetros da cidade. Principal escola pública na zona rural de Miracema ainda está de portas fechadas
O mês de abril está chegando à metade e os alunos da região da Serra da Lopa, na zona rural de Miracema, continuam esperando o início do ano letivo em 2022. Depois que a situação da escola Bartolomeu Fraga foi mostrada pela TV Anhanguera, no fim de março, a estrutura ganhou uma pintura e teve portas trocadas. Só que as aulas ainda seguem sem previsão.
A Prefeitura de Miracema foi procurada pela TV Anhanguera, mas não atendeu ao pedido para gravar entrevista e também não enviou resposta.
Pelas janelas da escola é possível ver carteiras, mesas e livros amontoados. A poeira toma conta do ambiente onde deveria prevalecer a educação. A Fernanda Fonseca da Silva tem dois filhos e um sobrinho que esperam pelo início das aulas.
“Se fosse eu sem mandar meu filho para a escola a secretaria vinham atrás questionar porque não mandava. Agora, eu questiono para eles porque não começam a funcionar a escola. Meu filho tem oito anos e eu não estou conseguindo ensinar ele a ler sozinha em casa, eu preciso da rede de ensino”, disse.
A escola fica a cerca de 60 quilômetros de Miracema e é a única dessa região. Enquanto as aulas não começam, a dona Julita de Jesus Lopes Borges está pagando aula particular para neta de 5 anos. “Porque se não ela vai regredir. A criança cresce e fica atrasada toda a vida. O recurso é esse, pagar particular”, reclamou a lavradora.
Escola na zona rural de Miracema
Reprodução/TV Anhanguera
A situação da escola foi levada ao Ministério Público do Tocantins, que informou ter solicitado as providências necessárias para o retorno das aulas.
Além do atraso no calendário letivo, a escola tem outros problemas. O principal é que são apenas quatro salas para atender alunos do pré-escolar ao 9º ano do fundamental. Devido ao número de alunos ser pequeno, são cerca de 30, a notícia que os pais receberam é que algumas turmas seriam unificadas.
Os pais não concordam e ainda denunciam que são apenas dois professores. “Pela lei uma criança de quatro anos é para começar ir à escola, mas como eu vou mandar meu filho para escola sendo que ele vai ter que estudar com criança do 5º ano, do 4º ou do 3º ano. Uma criança de quatro anos está fazendo educação infantil”, disse a Fernanda Fonseca.
Outra situação enfrentada na região está ligada às péssimas condições das estradas, que prejudicam o transporte escolar. “Não tem como ficar uma coisa dessa. Só vê os pais irem embora para a cidade, vai ficar aqui quem? Só as pessoas de idade igual eu, meu marido. As pessoas que dão conta de trabalhar não fica mais”, disse a Julita de Jesus.
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Fonte: G1 Tocantins