Polícia descobriu que suspeitos ficavam cerca de um ano preparando aeronaves para viagens a países da América Central. Aviões eram modificados para carregarem mais drogas e chegarem a locais mais distantes. PF investiga quadrilha por esquema de tráfico internacional
O grupo responsável por adaptar aeronaves para o tráfico de drogas internacional trabalhava como freelance para outras quadrilhas de traficantes, segundo a investigação da Polícia Federal. A suspeita é de que o grupo ficava cerca de um ano preparando as aeronaves para as viagens a países da América Central. Nesta quinta-feira (31) prisões foram feitas e diversos bens apreendidos durante a Operação Tuup.
“Acreditamos que eles são tipo freelances, atuam para vários grupos de traficantes que os contratam e eles ficam responsáveis por esse frete, esse transporte da droga. Acredito que dois dos investigados são responsáveis pela contratação de pilotos, compra de aviões, registros fraudulentos destas aeronaves”, explicou o delegado Danilo Robatto.
Durante a manhã desta quinta-feira (31) os agentes da PF estiveram em um hangar particular em Nova Ubiratã (MT). O local supostamente era usado pela quadrilha para modificar os aviões. No local foram encontradas duas aeronaves e vários veículos.
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O grupo tinha uma rede de contatos e fazia o transporte de cocaína dentro do Brasil e para outros países.
“Eles possuem uma rede aí de pilotos, de mecânicos, de empresários que também ajudam de alguma forma para as preparações e adequações dessas aeronaves, que são colocadas em nome de pessoas que não tem capacidade econômica pra justificar aquisição de aviões e que também não possuem qualquer tipo de relação com a atividade da aviação civil”, disse.
Segundo os investigadores, nos voos internacionais os aviões saiam do Brasil e eram carregados com a droga na Bolívia e Venezuela. Depois partiam para países da América do Sul e Central como a Guatemala e Belize. .
Aviões modificados
Aviões foram encontrados em hangar usado por suspeitos
Reprodução/TV Anhanguera
Os policiais perceberam que os criminosos modificavam a estrutura das aeronaves para ganhar mais espaço para as drogas e mais autonomia, para que os aviões chegassem a locais distantes sem precisar parar para reabastecer.
Em alguns casos esses aviões eram incendiados quando chegavam ao destino. “Essa ação do grupo é justamente para eliminar possíveis vestígios que tenham sido deixados no destino para evitar identificação do piloto, eliminar eventuais vestígios que ficassem nas aeronaves”, afirmou o delegado.
As viagens eram feitas de forma clandestina sem qualquer registro ou plano de voo, para evitar suspeitas. Isso causava sérios riscos para a segurança do tráfego aéreo.
A operação
A operação Tuup foi deflagrada pela Polícia Federal para cumprir 28 mandados judiciais emitidos pela a 4ª Vara da Justiça Federal do Tocantins. São seis de prisão preventiva, sete de prisão temporária e 14 ordens de busca e apreensão no Tocantins e mais sete estados.
Os mandados foram cumpridos no Pará, Ceará, Goiás, Mato Grosso, São Paulo e Santa Catarina. Durante a manhã três investigados foram presos em Porangatu (GO) e os agentes da PF apreenderam R$ 82 mil na casa de piloto em Sorocaba (SP). O dinheiro estava escondido dentro de uma panela.
O suspeito de chefiar a logística é Cleanto Carlos de Oliveira. Ele mora em Palmas, não foi encontrado em casa e é considerado foragido. A defesa dele informou que ainda está tomando conhecimento das investigações para tomar as providências, mas disse que ele refuta todas as acusações.
Os presos podem responder pelos crimes de associação ao tráfico, tráfico internacional de drogas e financiamento ao tráfico, além de atentado à segurança do transporte aéreo.
Na casa do piloto, em um condomínio de luxo de Sorocaba (SP), foram encontrados cerca de R$ 82 mil em dinheiro escondidos dentro de várias panelas.
Divulgação
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Fonte: G1 Tocantins
