Golpistas se passaram pelo profissional, anunciaram eletrodomésticos e até celulares nas redes sociais. Fotógrafo afirma que recebeu ligações de muitas pessoas que foram vítimas dos anúncios. Glauber Matos é fotógrafo em Palmas
Reprodução/Instagram
O fotógrafo premiado Glauber Matos, um dos mais conhecidos de Palmas, demorou anos para trabalhar o perfil no Instagram e conquistar 13 mil seguidores, com os quais compartilhava ensaios e fotos profissionais. Mas foram necessários apenas alguns minutos para perder a conta, que foi invadida por criminosos.
Hackers tomaram o perfil há pouco mais de um mês. Apesar de todos os esforços, o fotógrafo não conseguiu recuperar o perfil. Mas essa não foi a pior situação. Criminosos, que se passaram por ele, anunciaram eletrodomésticos nos stories e conseguiram fazer muitas vítimas.
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“Muita gente caiu, sei de gente que perdeu R$ 8 mil. As pessoas compraram porque era no meu nome e só depois descobriram que era golpe. Se passando por mim, eles criaram uma história dizendo que tinha um amigo saindo do país e precisava se desfazer dos móveis, eles anunciaram eletrodomésticos e móveis, como sofá, colchão geladeira, televisão, videogame, tudo a preço bem barato”, relatou Glauber.
Glauber Matos perdeu a conta do Instagram com 13 mil seguidores
Reprodução/Instagram
Glauber disse que o crime, além dos transtornos, provocou consequências emocionais. Isso porque ele ficou bastante abalado ao ter o nome usado pelos golpistas. Se tornaram constantes as ligações de pessoas avisando que tinham feito a transferência do dinheiro, mas que não rceberam o produto. Todas as vezes, o fotógrafo precisava explicar que, na verdade, a pessoa tinha sido vítima de um golpe.
Os criminosos usaram uma técnica de clonagem do número de celular conhecida como “SIM Swap” – de posse da linha, eles conseguem realizar a recuperação de senha de todas as contas atreladas ao número, como e-mail, WhatsApp e outras contas que enviam códigos de confirmação por SMS.
“Quando ficaram de posse do meu número, de imediato o WhatsApp foi junto, eles tiveram acesso ao backup de conversas. Muita gente reclamou que eu não avisei sobre o golpe, mas eu estava de mãos atadas. Eu não tinha número, nem nada. Teve gente próxima que caiu no golpe porque os criminosos tinham muitas informações para comprovar que era eu”.
O g1 entrou no perfil hackeado e as postagens com anúncios de celulares continuam sendo feitas nos stories.
Hackers continuam postando anúncios na conta do fotógrafo
Reprodução/Instagram
O golpe também gerou prejuízos financeiros para Glauber. “O Instagram era uma ferramenta de trabalho, até conseguir levantar o número dos cliente para o insta novo, voltar a fazer publicações, o pessoal confirmar que sou eu mesmo e não uma quadrilha, demora. A nossa agenda de trabalho ficou vazia, tive prejuízos financeiros”.
Glauber procurou vários especialistas para tentar recuperar a conta, mas não houve êxito. Nessa disputa, a quadrilha acabou ficando com a conta.
“Fizemos campanha na internet para ver se derrubava o Insta, a galera foi em peso, tivemos mais de mil denúncias e o perfil não caiu, continua de posse da quadrilha. Pelo que eu entendi, a quadrilha tem ferramentas usadas para bloquear denúncias, videoselfies, para neutralizar a ação”.
Perfil de fotógrafo hackeado por golpistas
Reprodução/Instagram
Um boletim de ocorrência foi registrado para relatar a invasão da conta e o golpe aplicado usando o nome do fotógrafo. Ele disse que pelo menos 15 vítimas do crime também registraram B.O.
Por causa de todos os transtornos, o fotógrafo ingressou com uma ação na Justiça contra a operadora do telefone e o Instagram. O objetivo é recuperar a conta e buscar o ressarcimentos dos prejuízos.
Depois do ataque, o fotógrafo começou a usar o perfil pessoal, com pouco mais de mil seguidores para as postagens profissionais.
Glauber começou novo perfil profissional na conta que antes era pessoal
Reprodução/Instagram
Crimes virtuais
O Tocantins já registrou mais que o dobro de casos de golpes aplicados online em 2022 do que tinha a essa altura no ano passado. Desde janeiro foram 746 ocorrências contra 362 para o mesmo período de 2021. A média atual é de 12 vitimas por dia. No ano passado todo foram 2.395 casos de crimes desse tipo no estado.
Em entrevista à TV Anhanguera no início desse ano, o delegado Lucas Brito Santana, deu dicas de como evitar os golpes:
É importante permitir que apenas seus contatos vejam a foto de perfil e sempre desconfiar de mensagens com solicitações de dinheiro, ainda que sejam de pessoas próximas;
Orientamos ligar para a pessoa e confirmar a solicitação antes de realizar qualquer transferência;
Redobre a atenção em relação aos links recebidos por e-mail e SMS ou qualquer anúncio de vendas de produtos com valores muito abaixo do mercado.
Escolher uma senha forte e mudar regularmente;
Jamais informar senha ou códigos de acesso a terceiros;
Sair do aplicativo sempre que usar computadores compartilhados também aumentam as chances de não cair em golpes;
Ativar a verificação em duas etapas.
“Pessoas que tiverem suas contas de WhatsApp invadidas por qualquer razão, para recuperá-las, basta procurar o suporte do aplicativo e seguir os passos informados na central de ajuda […] e claro procure a Polícia Civil para registrar a ocorrência para que o autor seja identificado e responsabilizado, seja pelo crime de falsa identidade ou estelionato na modalidade fralde eletrônica”, explicou o delegado.
Quem for vítima de um golpe pode registrar o boletim sem sair de casa pela Delegacia Virtual da Polícia Civil.
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Fonte: G1 Tocantins
