Embaixada do Brasil na Tailândia explicou ao advogado da família que, na verdade, os outros dois brasileiros presos no país pelo mesmo crime é que testaram positivo para doença. Pais de Jordi Beffa aguardam por contato com o filho. Jordi Vilsinski Beffa, de Apucarana, é um dos três brasileiros presos na Tailândia por suspeita de tráfico de drogas
Arquivo pessoal
A Embaixada do Brasil na Tailândia corrigiu a informação sobre o paranaense preso no país por tráfico de drogas e disse que Jordi Beffa não contraiu Covid-19, segundo o advogado da família do jovem.
De acordo com o advogado Petrônio Cardoso, a embaixada explicou que, na verdade, os outros dois brasileiros presos no país pelo mesmo crime e no mesmo dia que Beffa, em 14 de fevereiro, é que testaram positivo para o novo coronavírus.
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Por não estar com a doença e após o fim do isolamento de prevenção, o paranaense recebeu a visita de um representante do consulado brasileiro na Tailândia, na terça-feira (8), segundo informou a embaixada ao advogado.
Conforme Cardoso, até o momento, não há data definida para Beffa poder se comunicar com ele e com a família, que é de Apucarana, no norte do Paraná. Também não existe previsão para a realização de uma audiência sobre o caso.
Mensagem enviada ao advogado foi compartilhada com a RPC Londrina
Arquivo pessoal/reprodução
Beffa tem 24 anos e foi preso em um aeroporto de Bangkok, capital da Tailândia, com 6,5 quilos de cocaína escondidos em malas, segundo autoridades locais.
Na ocasião, outros dois brasileiros saíram de Curitiba e também foram presos no aeroporto da capital com drogas, mas não se sabe se há relações deles com Jordi. O advogado afirma, entretanto, que eles não se conhecem.
Embaixada
A RPC teve acesso à mensagem enviada, pelo consulado brasileiro, para o advogado de Beffa.
De acordo com as informações compartilhadas, o jovem está sendo tratado adequadamente na prisão provisória em que está, que fica nos arredores de Bangkok. Entretanto, detalhes sobre como é esse tratamento e condições da prisão não foram repassados.
Conforme a mensagem ainda, o paranaense tem conseguido se comunicar em inglês com os guardas.
A equipe do consulado informou ainda, ao advogado, que Beffa mostrou-se resignado e aliviado por saber que tem um advogado constituído pela família.
Segundo Cardoso, o jovem pediu que o consulado enviasse uma mensagem aos pais dele, dizendo que ele pede desculpas e que está muito arrependido pelo que fez.
O caso
Beffa e os outros dois brasileiros foram presos após serem flagrados com 15,5 quilos de cocaína nas bagagens, ao desembarcarem no aeroporto de Bangkok.
Desde o início do caso, a família do paranaense se mostrou preocupada e alegou que sequer sabia a respeito da viagem internacional. Os pais dele descobriram a prisão por mensagens que Beffa trocou com amigos.
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Em entrevista ao Fantástico, divulgada no dia 27 de fevereiro, a família disse que Jordi Beffa havia informado que iria para a praia.
“A mãe está em desespero total, o pai com o coração dilacerado nessa situação. No nosso entendimento houve uma cooptação desse jovem na venda de uma ilusão de uma viagem paradisíaca, em um país maravilhoso que é a Tailândia, com ganho de dinheiro fácil e rápido, e infelizmente trabalhou como mula para os verdadeiros traficantes”, disse o advogado.
A Tailândia é um dos países onde o tráfico de drogas pode ser punido com pena de morte, dependendo da quantidade de droga e das circunstâncias.
Quem é Jordi Beffa?
O paranaense trabalhava com carteira assinada como operador de máquinas em uma fábrica de roupas e máscaras, em Apucarana, havia três anos. Ele pediu demissão do local três dias antes da viagem.
Jordi Vilsinski Beffa, de Apucarana, é um dos três brasileiros presos na Tailândia por suspeita de tráfico de drogas
Arquivo pessoal
O advogado disse ainda que o jovem também terminou um namoro de quase um ano antes de viajar para a Tailândia.
“Ele nunca teve nenhuma passagem policial. Não registrando nenhum tipo de antecedente ou envolvimento com consumo de drogas, e de repente vem uma notícia apavorante dessa”, contou Cardoso.
Em entrevista à RPC, o advogado disse que acredita em uma condenação aproximada de 5 anos ao jovem, que é uma das penas mínimas.
Porém, conforme a defesa, só deve ser possível tentar trazê-lo de volta ao Brasil após o caso ser julgado, o que deve ocorrer em até dois anos, devido a processos represados na Tailândia, por causa da pandemia.
Família
Segundo o advogado, os pais dele, a mãe de 64 anos e o pai de 65 anos, não sabiam da viagem internacional, já que o jovem saiu de casa no dia 11, dizendo que viajaria para Balneário Camboriú, em Santa Catarina.
Jordi e os pais, antes do jovem viajar para a Tailândia
Arquivo pessoal
“Ele pediu perdão aos pais, pediu orações porque é uma família muito religiosa. Pediu para que os pais rezassem por ele e fizessem aquilo que fosse possível”, contou Cardoso.
Jordi avisou que havia sido detido por meio de áudio enviado a amigos. Em uma das mensagens, trocadas com amigos em áudio e texto, Beffa pediu que os amigos cuidassem da família dele, caso não consiga “voltar”. Ouça o áudio, abaixo.
“Qualquer coisa, cuida dos meus aí. Tá bom. Obrigado, irmão. Abraço. Não vou sair dessa”, disse.
Além de Jordi, os outros dois brasileiros presos na mesma data são a jovem Mary Hellen Coelho Silva, de 21 anos, moradora de Pouso Alegre (MG) e um homem, de 27 anos, que não teve o nome e nem a cidade de origem divulgados.
Brasileiro preso na Tailândia por tráfico de drogas manda áudio a amigos
O Itamaraty informou que, por meio da embaixada de Bangkok, acompanha a situação e presta assistência aos brasileiros.
Em uma das conversas, o brasileiro pediu que o amigo cuidasse da mãe dele e comentou não saber se vai conseguir voltar.
Jordi: “Cuida da minha mãe irmão. Eu peguei o celular aqui rápido”.
Amigo: “Pode deixar irmão”.
Jordi: “Mas não sei quanto tempo vou ficar”.
Amigo: “Amo você”.
Jordi: “Se um dia eu chegar voltar”.
Jordi: “Cuida deles por mim. Amo você. Se cuida irmão”.
‘Cuida da minha mãe’, escreveu brasileiro preso na Tailândia por tráfico de drogas a um amigo
Reprodução
Presos estão separados
Em um e-mail enviado à defesa da família, a embaixada brasileira na Tailândia informou que ele está detido no presídio de Samut Prakan, em condições adequadas de acordo com o padrão do país. A embaixada disse na mensagem que Jordi ainda não passou por uma audiência na justiça.
O texto diz ainda que, normalmente, os presos no país são autorizados a falar com familiares por meio de um aplicativo e que os familiares serão avisados quando for possível fazer contato, em horários autorizados pela polícia.
A família do paranaense informou que ele saiu de casa com somente uma mala e que esta mala citada não aparece nas imagens divulgadas pelas autoridades tailandesas, mas somente outra mala, que eles desconhecem a origem.
O advogado não sabe dizer se ele deixou a bagagem em algum local ou se as autoridades não fotografaram a mala vista pela família.
Cocaína estava escondida em compartimento oculto da bagagem dos brasileiros, segundo as autoridades tailandesas
RPC/Reprodução
O
Prisões
Primeiramente foram presos o homem, de 27 anos, e a jovem. Eles saíram de Curitiba e, após escalas, chegaram ao país.
A droga foi encontrada com o homem e a jovem após a equipe do aeroporto desconfiar de itens mostrados no raio X.
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Os funcionários da alfândega revistaram as três malas dos passageiros e encontraram 9 quilos de cocaína. A droga estava escondida em um compartimento oculto.
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O Itamaraty informou que está acompanhando a situação e que presta assistência aos brasileiros, mas não detalhou o que está sendo feito em relação ao caso. O órgão disse ainda que “em observância ao direito à privacidade”, não pode fornecer dados específicos sobre “casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros”.
A Polícia Federal (PF) informou que não foi comunicada oficialmente do fato e nem procurada pelos familiares dos presos.
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Pena de morte
A Tailândia é um dos países onde o tráfico de drogas pode ser punido com pena de morte. O mesmo ocorre em outros países do Sudeste Asiático.
Em abril de 2015, o paranaense Rodrigo Gularte foi executado na Indonésia pelo crime de tráfico de drogas. Ele ficou 11 anos preso após ser flagrado no aeroporto com 6 quilos de cocaína revestidos em pranchas de surfe.
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Fonte: G1 Mundo
