Kiev ou Kyiv: diferença na grafia do nome da capital da Ucrânia envolve disputa com a Rússia

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Campanha #KyivNotKiev (#KyivNãoKiev), lançada pelo governo ucraniano em 2018 para estimular a grafia local, voltou a mobilizar a comunidade internacional após o início da guerra. Disputa avança para a geopolítica a partir de uma questão histórico-linguística; entenda a origem do debate. ‘Ucranianos vão resistir’ diz faixa em protesto em Kiev em 12 de fevereiro de 2022
Reuters TV
A campanha #KyivNotKiev (#KyivNãoKiev), lançada pelo Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia em outubro de 2018 para estimular a grafia local do nome da capital, voltou a mobilizar a comunidade internacional após o início da guerra. A Rússia, afinal, usa o nome Kiev. É uma disputa que avança para a geopolítica a partir de uma questão histórico-linguística.
A língua ucraniana e a língua russa usam o mesmo alfabeto: o cirílico. O que muda é o jeito de falar e de escrever. Em ucraniano, fica assim: Київ. E, em russo, assim: Киев.
Quando fazemos a transliteração – ou seja, quando “traduzimos” para o nosso alfabeto, o romano –, o resultado são as duas grafias que conhecemos e que alimentam o debate: Kyiv, segundo a opção da Ucrânia; e Kiev, segundo a da Rússia.
“São duas transcrições diferentes do alfabeto cirílico, que é aquele utilizado tanto pela língua russa quanto pela língua ucraniana. Originalmente, elas eram a mesma coisa. Era a língua eslavo oriental, em oposição à língua dos eslavos ocidentais. E quem eram os eslavos orientais? Russos, ucranianos, os belarrussos. Quem eram os eslavos ocidentais? Poloneses, tchecos e vizinhos”, afirma ao g1 o professor de história de Curso Anglo (SP) Gianpaolo Dorigo.
“Acontece que a Ucrânia ficou muito tempo dominada Rússia, desde a época czarista, desde o século 15, 16, que mais tarde se estendeu com o nome de domínio soviético. E, desde esse período remoto, existe uma russificação da Ucrânia – uma russificação dos nomes, a imposição da língua russa. E assim a língua ucraniana foi morrendo.”
O professor lembra que no século 19, no entanto, “ainda sob domínio czarista e em meio àquele vasto movimento característico do período, começou a surgir na Ucrânia uma tentativa de resgate da língua ucraniana, que já estava sendo perdida”.
“Era uma língua muito arcaica, que se aproximava muito daquela forma antiga do eslavo oriental. Então, a língua ucraniana tem mais ou menos um renascimento a partir do século 19. E, nesse renascimento, ela fica parecendo um russo arcaico. O ucraniano é basicamente um russo antigo”, explica.
Não muito depois de as tropas russas terem começado a invadir o território ucraniano, em 24 de fevereiro, as redes sociais viram ressurgir a hashtag #KyivNotKiev – aquela mesma criada há 3,5 anos pelo governo da Ucrânia.
Na época, o site oficial da ação publicou um texto com o seguinte trecho: “Convidamos todos os cidadãos preocupados da Ucrânia e seus amigos a se juntarem à campanha”. Ao fim, vinha a mensagem: “É hora de se livrar do passado de ortografia soviética da Ucrânia. Junte-se a nós!”.
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Fonte: G1 Mundo