Brasileiro explica como chegou a bunker em Kiev; construções que servem de abrigo na Ucrânia são herança da União Soviética

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Luciano Rosa é fisioterapeuta do time ucraniano Shakhtar e está em um abrigo no subsolo de um hotel na capital ucraniana após início dos ataques russos. Mestre em cultura russa explica que presença dos abrigos na região é comum e que chegaram a ser usados para turismo antes da invasão. Brasileiro explica como chegou a bunker em Kiev
O vídeo em que o fisioterapeuta brasileiro Luciano Rosa pede ajuda do governo do Brasil para deixar a Ucrânia foi gravado de dentro de um bunker em um hotel em Kiev. Os abrigos são uma herança do período em que a região pertenceu à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), antigo estado que originou a república da Rússia (leia mais abaixo).
“O hotel em que estou agora tem esse bunker e dá para perceber que ele foi adaptado para fazer eventos no subsolo. Tem carpetes, tem cadeiras para eventos, só que agora trouxeram colchão para cá, água, comida, mas parece um espaço de reunião. A gente vai dormir aqui, não tem como subir para os quartos porque a qualquer momento pode ter uma bomba, um ataque aéreo e a gente tem que estar seguros”, disse Luciano ao g1.
Ele conta que os ocupantes do abrigo foram levados para lá depois de uma sirene alertou para um bombardeio. A sala, com baixa iluminação, é de carpete. Há também cadeiras, onde as pessoas tentam se acomodar. Ele conta que há risco de falta de energia, o que pode comprometer o aquecimento no local e o acesso à internet.
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“Eu fui avisado de que começariam a nos bombardear e que era para irmos ao hotel, que fica no centro. Minutos depois da ligação, comecei a ouvir as explosões. Saímos em desespero e estamos apavorados com a situação”, conta.
Ele estava com uma equipe de jogadores de futebol brasileiros que atuam nos times Shakhtar Donetsk e Dínamo Kiev. O grupo publicou um vídeo em uma rede social pedindo ajuda para sair da Ucrânia.
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Bunker em hotel em Kiev, na Ucrânia, onde brasileiro está
Luciano Rosas/ Arquivo Pessoal
Bunkers: herança da União Soviética
Um resquício de quando a Ucrânia integrou a a União Soviética, os bunkers são comuns em território ucraniano, principalmente na capital, como explica Fabrício Vitorino, mestre em cultura russa pela Universidade de São Paulo (USP).
“Kiev é a cidade com o maior número de bunkers entre as áreas que foram da União Soviética”, disse Vitorino.
Herança da União Soviética, bunkers são comuns na Ucrânia e são sinalizados com a inscrição de “abrigo” (“укриття”) ou com uma placa com dois lances de escada para baixo
Reprodução/ Kostyantyn Chernichkin/ The Kyiv Independent
“Praticamente toda a infraestrutura da Ucrânia ainda é a do período da União Soviética. Como o que ela mais temia era um ataque, de imediato houve a necessidade de readaptar as cidades e criar bolsões. Começou a se criar então essa cultura, de uma vida subterrânea”, explica Vitorino.
Com o tempo, eles foram sendo sofisticados para garantir maior proteção em caso de ataque de bombas.
“Conforme a atmosfera nuclear foi evoluindo, os bunkers precisaram ser aprimorados ainda mais. Então, na República Tcheca, por exemplo, as estruturas são muito mais profundas. São pesadas, pensadas para ser os ‘Fallout Shellter’, os abrigos nucleares”, detalhe o pesquisador.
No período final da União Soviética, já sob um clima menos apreensivo, os abrigos passaram a ser explorados comercialmente para turismo, abrigando de salas de hotéis, como o que o fisioterapeuta brasileiro está em Kiev, a boates, como a que serviu de cenário para a gravação do filme “Triplo X”, que fica em Praga, capital da República Tcheca.
“Na Ucrânia, por exemplo, passaram a fazer turismo, começaram a monetizar isso. Muitas estruturas que estavam abandonadas foram rearranjadas e reaparaelhadas para esse contexto mais recente, ao menos até 2014 para cá, quando voltou a se ter apreensão com as ameaças russas”, conta Fabrício Vitorino.
Filme “Triplo X” teve cena filmada em boate que fica em bunker em Praga, na República Tcheca
Reprodução
Suprimentos médicos em bunker em hotel na Ucrânia, onde brasileiro está
Luciano Rosas/Arquivo Pessoal
Guerra na Ucrânia
Segundo o governo, 137 ucranianos foram mortos no primeiro dia dos ataques russos. Os ataques da Rússia à Ucrânia começaram na madrugada desta quinta-feira (24). Segundo o Itamaraty, cerca de 500 brasileiros estão no país.
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Cidades como Kiev e Kharkiv, as duas maiores do país, foram atacadas com mísseis e bombas. Tropas russas também desembarcaram em Odessa, que fica às margens do Mar Negro, e cruzaram a fronteira até Kharkiv.
A Rússia destruiu mais de 70 alvos militares na Ucrânia. Entre esses, estão 11 campos de pouso, três pontos de comando e uma base naval. As informações são do general Igor Konashenkov, porta-voz do Ministério da Defesa, em Moscou. Ele disse que os russos derrubaram um helicóptero e quatro drones.
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Fonte: G1 Mundo