‘Se houver uma invasão da Rússia à Ucrânia iremos bloquear o acesso ao mercado de Londres’, diz Boris Johnson

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Em coletiva da conferência de segurança de Munique, o premiê britânico foi enfático ao dizer que os principais países do Ocidente se reuniram e moldaram um pacote de sanções severas para a ocasião de uma invasão. Boris Johnson sobre tensão com a Rússia: ‘Não devemos subestimar a gravidade deste momento’
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, concedeu entrevista coletiva durante este sábado (19) na conferência de segurança de Munique. Em seu discurso, Johnson deixou claro que sanções mais estratégicas estão previstas caso haja uma invasão da Rússia à Ucrânia.
“Não devemos subestimar a gravidade do que está em jogo. Nós (principais países do Ocidente) nos unimos para criar um pacote de sanções muito severas. Estamos preparando por meio da União Europeia. Se a Rússia invadir seu vizinho vamos fazer sanções a empresas importantes de lá. Faremos com que eles não tenham acesso a dinheiro, principalmente por meio do mercado de Londres”, disse o chefe do governo britânico.
Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em discurso durante a conferência de segurança de Munique, neste sábado (19)
Andreas Gebert/Reuters
“A Grã-Bretanha está pronta para defender a Ucrânia. Estamos mandando navios, temos 2 mil soldados na Polônia e em outros países também. Além disso, aumentamos nossa presença no lado leste, principalmente no Chipre. Também temos mil soldados à disposição para agir se tiver necessidade humanitária.”, completou Boris Johnson.
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Ele ainda se posicionou defendendo a integridade de países democráticos. Para Johnson, a Grã-Bretanha vai sempre se posicionar a favor da liberdade e da democracia.
‘A Otan não é uma ameaça à Rússia’
Durante o mesmo discurso, o premiê britânico tentou tranquilizar o mundo dizendo que a Otan não é uma ameaça à Rússia, como disse o presidente Putin.
“Desde 2014, quando houve a invasão à Crimeia, a Otan não colocava tropas a leste da Alemanha. Nunca houve nenhuma ameaça à Rússia, apenas respondemos às suas tropas neste momento”, disse Johnson.
Primeiro-ministro britânico Boris Johnson e o secretário-geral da OTAN em entrevista coletiva conjunta
Yves Herman/Reuters
“Gostaria de pedir ao Kremlin que desescale as tensões. Todos aqui nessa conferencia compartilham essa ideia. Ainda podemos conversar. Estamos dispostos a trabalhar e mostrar ao presidente Putin a segurança que ele precisa”, completou.
Dependência europeia da Rússia
Alguns países europeus possuem uma dependência de produtos comercializados pela Rússia, em especial aqueles derivados de petróleo. Johnson também acenou para essa dependência e disse que já foram estudadas saídas para o caso.
“Nós precisamos superar a dependência de gás e petróleo de Putin. Não é fácil, mas devemos fazer. Fiquei muito feliz de ouvir que Scholz pode desistir do Nord Stream 2 se houver um ataque”, comentou o primeiro-ministro.
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Conferência de segurança de Munique
O assunto Rússia x Ucrânia foi o mais reportado durante boa parte do evento. Além de Boris Johnson, Kamala Harris e Olaf Scholz também deram declarações sobre o conflito.
Kamala Harris, vice-presidente dos EUA, em discurso durante a conferência de segurança de Munique neste sábado (19)
Andreas Gebert/Reuters
“Como disse o presidente Joe Biden, os EUA, nossos aliados da Otan e nossos parceiros têm estado e estão abertos a diplomacia séria. Entretanto, a Rússia diz estar aberta a conversar, mas suas atitudes não condizem com suas palavras. Moscou segue negando a diplomacia”, disse Kamala Harris, vice-presidente dos EUA.
“A Rússia invadir a Ucrânia seria um erro sério. A atitude teria custos políticos, econômicos e geoestratégicos. Não há justificativa para haver mais de 100 mil tropas russas na fronteira”, disse o líder do governo alemão, Olaf Scholz

Fonte: G1 Mundo