EUA solicitam extradição do ex-presidente de Honduras acusado de receber dinheiro de traficantes de drogas

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Supremo Tribunal de Honduras vai decidir se vai extraditar Juan Orlando Hernández, que é acusado pela promotoria de Nova York de ter ligações com o narcotráfico. Imagem de Juan Orlando Hernandez, ex-presidente de Honduras, em 14 de agosto de 2021
Orlando Sierra/ AFP
O governo dos Estados Unidos solicitou a Honduras a extradição do ex-presidente Juan Orlando Hernández, que governou entre 2014 e 2022 e é acusado de ter ligações com o tráfico de drogas por promotores de Nova York.
O pedido de extradição foi enviado pelos EUA ao Ministério de Relações Exteriores de Honduras na segunda-feira (14).
O ministério das Relações Exteriores de Honduras informou, em sua conta no Twitter, que enviou ao Supremo Tribunal de Honduras uma “comunicação oficial da embaixada dos Estados Unidos” solicitando formalmente a prisão provisória de um “político hondurenho”, não mencionado, com o propósito de extradição.
Horas mais tarde, policiais cercaram a casa de Hernández. O advogado de Hernández, Hermes Ramírez, disse à mídia local que seu cliente é objeto de “atropelos” porque sua casa estava cercada por um cordão policial, o que impedia o acesso de seus assessores e da comissária estatal dos Direitos Humanos. Ramírez também disse que não foi notificado de nenhum pedido de prisão.
Ainda não está claro se o Supremo Tribunal de Honduras vai de fato decidir que Hernandez deve ser extraditado. De acordo com o “New York Times”, Hernández nomeou diversos ministros que compõem a corte atualmente.
A Suprema Corte convocou uma reunião de urgência nesta terça-feira para “a designação do juiz” do caso.
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EUA já haviam criticado Hernández
Hernández deixou a presidência em 27 de janeiro, depois de oito anos no cargo.
Em 7 de fevereiro, o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, afirmou que Hernández foi incluído em 1º de julho de 2021 na lista de pessoas acusadas de corrupção ou de prejudicar a democracia em El Salvador, Guatemala e Honduras.
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g1
Seu irmão, o ex-deputado “Tony” Hernández, foi condenado em março de 2021 à prisão perpétua nos Estados Unidos por ligações com o narcotráfico, o mesmo crime que os promotores de Nova York acusam o ex-presidente.
Em um comunicado, Blinken destacou que “de acordo com várias informações confiáveis da imprensa”, Hernandez “se envolveu em corrupção significativa ao cometer ou facilitar atos de corrupção e narcotráfico, e ao utilizar o lucro de atividades ilícitas para campanhas políticas e, além disso, Hernandez foi identificado por seu nome no depoimento de uma testemunha sob juramento em um processo criminal federal nos Estados Unidos por ter recebido dinheiro do tráfico de drogas como parte do financiamento de sua campanha.”
Os promotores americanos se referiram ao ex-presidente como “co-conspirador”, embora não exista nenhuma acusação formal contra ele.
O ex-presidente Hernández nega todas as acusações e afirma que são uma vingança estimulada pelos mesmos traficantes que seu governo capturou ou extraditou para os Estados Unidos.
Depois de entregar o poder a Xiomara Castro, primeira mulher a ocupar a presidência de Honduras, Hernández tomou posse como deputado do Parlamento Centro-Americano (Parlacen), um benefício reservado a todos os ex-presidentes da região quando deixam o cargo, o que lhe confere direito à imunidade e à audiência preliminar.
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Fonte: G1 Mundo