Investigações apuram 65 mortes por intervenções policiais no Tocantins em pouco mais de dois anos

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Ocorrências foram entre os anos de 2019 e 2021 e seguem sem ser esclarecidas. O Tocantins ocupa o 16º lugar no ranking de letalidade policial. Tocantins ocupa o 16º lugar no ranking de letalidade policial
Investigações em aberto apuram 65 casos de mortes durante ações policiais no Tocantins ao longo de um período de pouco mais de dois anos. As ocorrências foram entre junho de 2019 até outubro de 2021 e seguem sem ser esclarecidas. Os dados estão em um relatório obtido pela TV Anhanguera.
Tanto a Polícia Civil como a Polícia Militar têm procedimentos para apurar estes casos. Para as famílias que aguardam respostas, o sentimento é de frustração.
Morando fora do Brasil, por medo, a dona de casa Sandra Jane, ainda luta por Justiça. O filho dela, Bryan Felipe Inomata, foi morto em 2019, após a polícia entrar na kitnet que ele morava no Jardim Aureny III, em Palmas. O jovem tinha 27 anos na época. Um amigo dele, Adalgison Bezerra, também morreu, na abordagem. “Uma execução cruel”, afirma ela “meu filho não reagiu. Ele não tinha arma. Reagiu sentado?” Questiona.
Segundo testemunhas, a namorada de Bryan, Samylla Lorrany Marques de Sousa, estava no local, mas desapareceu no mesmo dia. Na época, a mãe dela fez um apelo para encontrar a filha. Até hoje ela não apareceu.
Também foi uma abordagem policial que tirou a vida do filho da dona Iraneide Rocha. Leandro Rocha da Cunha, com 16 anos na época, morreu atropelado por uma viatura da polícia quando estava de bicicleta a caminho da casa da namorada. “Meu filho era um rapaz que trabalhava. Era um rapaz que queria crescer na vida. Não tinha nome sujo”.
Todas estas mortes que estão na lista de ocorridas em intervenções policiais e que ainda não foram esclarecidas. “Quais seriam as origens deste problema? Eu poderia citar algumas. As variadas carências destas populações de baixa renda. A ausência ou ineficiência dos programas sociais inclusivos. As deficiências das instituições de controle social”, explica o especialista em segurança pública Igor Barbosa.
Em 2019, foram 21 casos do tipo em dez cidades do Tocantins. No ano de 2020, 28 pessoas perderam a vida em ações envolvendo a polícia e no ano passado, 16 pessoas foram mortas até o mês de outubro.
Conforme o último anuário nacional de segurança pública, o Tocantins ocupa o 16º lugar no ranking de letalidade policial. O advogado Cristian Trindade Ribas diz que o índice é grave e que os inquéritos precisam ser concluídos.
A Delegacia de Homicídios de Palmas informou que o inquérito relacionado a morte de Leandro Rocha foi concluído e que um policial militar foi indiciado por homicídio doloso. O caso segue na Justiça. Já a investigação sobre as mortes de Bryan Felipe e Adalgison Bezerra, assim como o desparecimento de Samylla Lorrany, ainda não foi concluída.
Mortes por intervenção policial estão sob investigação no Tocantins
Reprodução/TV Anhanguera
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Fonte: G1 Tocantins