Falha no iPhone utilizada pelo Pegasus foi explorada por outra empresa de espionagem israelense, diz agência

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Reportagem da Reuters indica que QuaDream, concorrente do NSO Group, também se aproveitou de vulnerabilidade nos aparelhos da Apple. Falha no iPhone foi explorada por outra empresa de espionagem israelense, aponta agência
REUTERS/Aly Song
Uma empresa israelense desconhecida do público se aproveitou da mesma falha de segurança utilizada pelo NSO Group para invadir iPhones sem precisar de nenhuma ação do usuário.
É o que aponta uma reportagem da agência Reuters publicada na última quinta-feira (3). O veículo disse ter ouvido 5 diferentes fontes que indicam que a companhia israelense QuaDream utilizou a vulnerabilidade para realizar ataques.
A QuaDream e o NSO Group são concorrentes e desenvolvem ferramentas capazes de hackear celulares. Essas soluções geralmente são comercializadas para agências governamentais, supostamente para que os países possam se defender de ameaças à segurança nacional.
No entanto, grupos de direitos humanos e jornalistas documentaram o uso dos produtos para atacar a sociedade civil, minar a oposição política e interferir em eleições.
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Analistas ouvidos pela Reuters acreditam que as capacidades do NSO Group e da QuaDream eram semelhantes porque aproveitaram das mesmas vulnerabilidades na plataforma de mensagens instantâneas da Apple.
O sistema operacional do iPhone possuía algumas brechas em um mecanismo de segurança conhecido como “BlastDoor”. Segundo a Apple, as versões mais recentes do seu sistema operacional, a partir do iOS 15, “traz diversas novas proteções de segurança”.
“Embora o spyware do NSO Group continue evoluindo, a Apple não observou evidências de sucesso em ataques remotos contra aparelhos com iOS 15 ou versões posteriores”, escreveu a empresa em um comunicado em novembro passado.
Até então, o uso de ferramentas de espionagem pela QuaDream não havia ganhado muita repercussão – a própria fabricante do iPhone não mencionou a empresa ao anunciar um processo contra o NSO Group.
Uma das primeiras menções à empresa na mídia ocorreu em junho de 2021, quando o jornal israelense “Haaretz” publicou uma reportagem que apontava o uso de invasões pela QuaDream e supostas parcerias com o governo da Arábia Saudita. A denúncia, no entanto, não teve grande destaque.
A Reuters fez repetidas tentativas de entrar em contato com a QuaDream. Um jornalista da Reuters na semana passada visitou o escritório da QuaDream, em Ramat Gan, no subúrbio de Tel Aviv, mas ninguém recebeu a reportagem.
Um porta-voz da Apple se recusou a comentar sobre a QuaDream ou dizer se há alguma ação que a companhia planeja tomar em relação à empresa.
Em novembro, a NSO foi colocada em uma lista de restrição comercial do Departamento de Comércio dos EUA após as denúncias.

Fonte: G1 Mundo