Após 6 testes de mísseis em 1 mês, Coreia do Norte vai presidir conferência da ONU sobre desarmamento

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‘É como ter um estuprador em série encarregado de um abrigo para mulheres’, reage o diretor executivo de grupo de monitoramento das Nações Unidas. O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, visita a cidade de Samjiyon em foto sem data divulgada em 16 de novembro de 2021
KCNA via Reuters
Embora tenha executado seis testes de mísseis balísticos apenas em janeiro deste ano, mais do que o total disparado em 2021, a Coreia do Norte vai presidir a Conferência sobre Desarmamento da ONU. A decisão gera estupor pelo próprio contrassenso: integrado por 65 países, o fórum é considerado o pilar dos esforços mundiais para combater a proliferação de armas.
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“É como pôr um estuprador em série encarregado de um abrigo para mulheres”, resumiu Hillel Neuer, diretor executivo do grupo de monitoramento independente UN Watch.
Neuer conclama o boicote de países à conferência, que ocorrerá entre 30 de maio e 24 de junho, período em que o regime de Kim Jong-un assumirá a presidência rotativa. “Este é um país que ameaça atacar outros estados membros e comete atrocidades contra seu povo.”
A Conferência sobre o Desarmamento foi estabelecida em 1979 e originou o TNP (Tratado de Não-Proliferação Nuclear) e as convenções para a Proibição de Armas Bacterianas e sobre Armas Químicas. O rodízio entre países para ocupar a presidência é automático e dura quatro semanas.
Muito longe de ser um discípulo aplicado, a Coreia do Norte se retirou do TNP em 2003 e defende seus testes de mísseis como direito soberano de autodefesa. A intensa atividade nuclear resultou, desde 2006, em nove resoluções de sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU.
As celebradas negociações entre Kim Jong-un e o ex-presidente americano Donald Trump estancaram depois que os EUA, sem garantias prévias, rejeitaram as exigências do regime de um alívio nas sanções. O governo Biden mantém a mesma linha, à espera de que o regime dê sinais concretos de que abandonará a atividade nuclear.
O lançamento de seis mísseis desde o início do ano revela a disposição desafiadora de Kim Jong-un, sobretudo agora, quando os EUA concentram o foco em adversários como Rússia e China. E, como avaliou Newer, designar a presidência do fórum mundial, com acesso a agências de controle de armas, a um regime autocrático mina a imagem e a credibilidade das Nações Unidas, como instituição dotada de uma bússola moral.
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Combinação de imagens fornecidas pelo governo da Coreia do Norte em 28 de janeiro de 2022 de testes de mísseis que a KNCA diz terem sido realizados nesta semana em locais não revelados
KCNA via Reuters

Fonte: G1 Mundo