O escudo de silício vai proteger Taiwan da China?

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Taiwan é o maior fornecedor de microchips do mundo, e uma eventual ação da China iria atrapalhar cadeias globais de manufatura de produtos que têm chips. China e Taiwan trocam farpas em meio a ameaças à soberania da ilha
A China considera que Taiwan é parte de seu território desde 1945, e, desde 1949, Taiwan considera ser independente. No entanto, houve um período de estabilidade na relação, que foi interrompido nos últimos anos, após os chineses aumentarem a pressão militar e diplomática para afirmar que têm soberania da ilha, o que causa revolta em Taiwan e preocupação nos Estados Unidos.
O governo taiwanês diz que quer paz, mas que se defenderá, se for necessário.
As Forças Armadas do Japão e dos Estados Unidos até mesmo elaboraram o esboço de um plano para uma operação conjunta no caso de uma possível emergência em Taiwan, segundo a agência de notícias japonesa Kyodo.
A China nunca considerou que Taiwan fosse um país autônomo, mas os dois já tiveram uma relação mais harmônica, especialmente entre o fim dos anos 1990 e 2016.
Hoje são comuns os sobrevoos de aviões militares da China no espaço aéreo de Taiwan –os chineses até mesmo fizeram exercícios aéreos para mostrar que conseguem abastecer suas aeronaves no ar.
China única, mas Taiwan protegida
Após a Segunda Guerra, o controle de Taiwan passou do Japão para a China. Quatro anos depois disso, em 1949, a China viveu a Revolução Comunista. As forças derrotadas da República da China recuaram para Taiwan, e desde então afirmam que são um país separado.
Os dois lados buscam apoios internacionais para o seu lado desde então. As coisas se complicaram na década de 1970, quando o governo dos Estados Unidos, então sob a liderança de Richard Nixon, optou por distencionar a relação com os chineses. Os EUA então adotaram uma política com alguma ambiguidade: por um lado, oficialmente reconhecem a China única, mas ao mesmo tempo dizem que é preciso proteger Taiwan como uma província, diz o professor da USP Yi Shin Tang.
“Nos últimos 10 anos, a China procurar restabelecer relações com Taiwan e soluções diplomáticas: há rotas aéreas e marítimas e possibilidade de intercâmbio de cidadãos sem a ideia de que são estrangeiros perante um ao outro –os dois exigem uma permissão interna de circulação para os cidadãos possam circular entre os territórios, mas isso não é exatamente um visto”.
Mulher segura duas bandeiras de Taiwan durante as celebrações do dia nacional em Taipei, capital da ilha, em 10 de outubro de 2021
Chiang Ying-ying/AP
O que mudou?
As relações pioraram quando Taiwan elegeu a presidente Tsai Ing-wen, que em seu discurso prega independência para o Estado de Taiwan.
Além disso, o atual líder chinês, Xi Jinping, tem procurado centralizar o poder do regime comunista em uma tentativa de se perpetuar no cargo, e isso tem gerado preocupação na região, diz Yi Shin Tang, professor da USP.
Respostas mais enfáticas
Os chineses começaram a responder questões ligadas a Taiwan de forma mais enfática, segundo Tang.
No fim de dezembro, Wang Yi, o principal diplomata chinês, disse que a causa das tensões atuais são as tentativas do governo taiwanês de “contar com os Estados Unidos para a independência”, e os EUA e outros países tentarem “usar Taiwan para controlar a China”.
“São estas ações perversas que mudam o status quo e minam a paz no Estreito de Taiwan, violando o consenso da comunidade internacional e as normas básicas das relações internacionais”, disse Wang, ex-chefe do Escritório Chinês para Assuntos de Taiwan.
E agora?
Além dos custos humanitários de uma eventual ação militar, há também na equação um custo econômico, diz o professor da USP. Taiwan é o maior centro de microchips do mundo.
Uma interrupção no fornecimento de microchips causaria uma reação global, e a China sabe disso. Por isso se diz que Taiwan tem um “escudo de silício” que a protege (microchips são feitos de silício, daí o nome).
A ilha fornece microchips inclusive para a China, e os próprios chineses sofreriam consequências de uma interrupção do fornecimento do produto.
“Salvo algum acidente, um problema diplomático grave causado por má comunicação, só deve ocorrer movimentações como as atuais. A China deve continuar a circular suas aeronaves no espaço aéreo de Taiwan, mas duvido que haja confronto direto”, diz Yi Shin Tang.
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Fonte: G1 Mundo