Ômicron será a forma dominante da Covid? Veja lugares que já preveem a predominância da variante

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Escócia já estima ômicron em mais da metade das infecções a partir desta sexta; União Europeia e EUA esperam que a variante domine os novos casos logo no próximo mês. Britânicos apresentam passaporte sanitário para acessar área restrita a não vacinados contra a Covid-19 em foto de 16 de dezembro de 2021
David Klein/Reuters
Países de todo o mundo se preparam para que a variante ômicron do coronavírus se torne dominante nas próximas semanas, devido à sua maior transmissibilidade em comparação com a delta, atualmente responsável pela maioria dos novos casos de Covid-19.
Na Escócia, autoridades do governo já estimam que a ômicron representa mais da metade das novas infecções no país a partir desta sexta-feita (17). Já a União Europeia e os Estados Unidos dizem esperar que a nova variante se torne dominante logo no próximo mês.
Veja lugares que já preveem a predominância da variante:
Escócia já estima dominância
A variante ômicron do coronavírus já é dominante na Escócia, segundo estimou a primeira-ministra do país, Nicola Sturgeon, em fala no Parlamento local.
Primeira-ministra da Escócia recebe vacina de reforço contra a Covid-19 em Glasgow 4 de dezembro de 2021
Russell Cheyne/Pool via Reuters
Segundo a chefe de governo, quase metade dos novos casos reportados da doença na quinta-feira (16) já eram tratados pelas autoridades sanitárias como suspeitos desta variante.
A estimativa do governo escocês considera que a ômicron possa substituir com facilidade a delta, que atualmente domina as infecções o que pode levar “a um aumento ainda mais rápido de casos”.
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Dominante no Reino Unido ‘em dias’
O chefe da agência sanitária britânica, Jenny Harries, disse na quarta-feira (15) semana que a variante ômicron será a predominante em diversas áreas do Reino Unido “em dias”.
Estimativas iniciais do governo apontavam semanas para que a ômicron ultrapassasse a variante delta, o que foi revisto pelas autoridades sanitárias.
“Essa variante, provavelmente, é a maior ameaça que tivemos desde o início da pandemia”, disse Harries em uma audiência no Parlamento britânico.
O Reino Unido bate recorde pelo segundo dia seguido de infecções diárias por Coronavírus
No mesmo dia, o Reino Unido registou um recorde de infecções – com 78.610 novos casos de Covid-19 – mas com baixa taxa de mortes (165), devido à alta vacinação no país (68% da população, segundo a plataforma Our World in Data). Veja no VÍDEO acima.
Estimativas da prefeitura de Londres sugerem que a ômicron já seja responsável por 51,8% das variantes sequenciadas na capital inglesa – o que a torna dominante por lá.
Europa vacinada, mas desigual
A variante ômicron ainda não é variante que prevalece nos países da União Europeia (UE), mas este cenário deve mudar em meados de janeiro, segundo estimativas das autoridades locais.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse na quarta que a ômicron será dominante nos 27 países do bloco no próximo mês.
Pessoas fazem fila para se vacinar contra a Covid-19 em Barcelona em foto de 14 de dezembro de 2021
Albert Gea/Reuters
A alta representante da UE disse, no entanto, que o grupo está preparado para enfrentar um possível aumento nos casos – em decorrência da alta transmissibilidade – por conta da alta vacinação.
A média dos países da Europa é de 66,6% da população com o esquema vacinal completo – isso significa que receberam duas doses da vacina, ou a dose única. No entanto, a distribuição é desigual.
Enquanto em países como Portugal e Espanha, a taxa de vacinação está em 88% e 78%, respectivamente, a Bulgária tem apenas 27% de sua população completamente vacinada.
Estados Unidos e o esgoto da Flórida
A principal autoridade médica do país e conselheiro da força-tarefa da Casa Branca, Anthony Fauci, disse nesta quinta que a ômicron será dominante nos Estados Unidos dentro de algumas semanas.
“É o vírus mais transmissível da Covid que tivemos que lidar até aqui. Em breve se tornará dominante. Isso é uma coisa que sabemos”, disse Fauci em uma transmissão.
Enquanto o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) estima que ainda 2,9% dos novos casos de Covid-19 no país pertençam a esta variante, autoridades sanitárias da Flórida já encontram dados que apontam para a prevalência da ômicron no estado.
Manifestantes contrários à vacinação protestam na Flórida em foto de 16 de novembro de 2021
Rebecca Blackwell/AP
Amostras retiradas do esgoto do condado de Orange County (OC) sugerem que a cepa seja dominante na região – a zona abriga os maiores parques temáticos do país e recebe diariamente milhares de turistas.
Uma porta-voz da agência sanitária de OC disse à agência Associated Press que sequenciamentos feitos nos vírus encontrados nas águas residuais da área mostraram que a ômicron representa 100% das amostras.
No entanto, a taxa é diferente em relação às novas internações por Covid-19, ponderou o prefeito de OC, Jerry Demings, em entrevista coletiva.
“Aqueles que foram hospitalizados foram infectados pela variante delta”, disse Demings.
Imagem destaca variante ômicron do coronavírus feita com um microscópio
Cortesia Faculdade de Medicina da Universidade de Hong Kong
Rápida dispersão na capital da Finlândia
A maior autoridade sanitária da região de Helsinki disse, nesta sexta, que a variante ômicron vem se espalhando rapidamente pela capital da Finlândia.
Lasse Lehtonen disse em entrevista à emissora TV1 que a ômicron parece ser três vezes mais contagiosa que a delta e que será dominante na área.
Uma reportagem do jornal “Helsingin Sanomat” já estima que a ômicron já é responsável por 50% dos novos casos de Covid-19 na capital finlandesa.
O primeiro caso de ômicron foi registrado no país a menos de três semanas, segundo dados oficiais, o que sugere um ritmo acelerado de dispersão do coronavírus.
O que diz a OMS?
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ao menos 77 países já relataram casos da ômicron – mas a variante “provavelmente está na maioria dos países”, sem ter sido investigada.
A agência de saúde das Nações Unidas disse também que ainda há muito a se descobrir sobre a nova variante – reportada pela primeira vez há menos de um mês – e que “os dados estão chegando”.
O relatório mais recente da organização sobre a ômicron, publicado em 10 de dezembro, reportou que “com base em evidências limitadas” a variante “parece ter vantagem de dispersão sobre a delta”.
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Expectativas para o Brasil
Júlio Croda: ‘Ômicron será variante dominante no Brasil em questão de semanas’
O infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Júlio Croda, acredita que a ômicron será variante dominante no Brasil “em questão de semanas”. Veja no VÍDEO acima.
“Aqui no Brasil vai ser questão de semanas assim que a gente tiver uma transmissão comunitária importante, como foi a delta no Rio de Janeiro”, disse o especialista em entrevista à GloboNews. “Não vai ser diferente para a ômicron.”
Croda afirmou que os estudos mais recentes apontam para que a ômicron seja mais transmissível que a variante delta e que também possui um “escape de resposta imune mais importante”. Ele ponderou, no entanto, que ainda é preciso avaliar o impacto nas hospitalizações e mortes.
“A gente sempre faz esse paralelo, a delta quando chegou no Brasil, por conta de uma cobertura vacinal elevada associada a uma transmissão recente importante da variante gama, o impacto em termos de hospitalização e óbitos foi menor”, lembrou o infectologista.
Ele afirma, no entanto, que ainda é difícil precisar como a cobertura vacinal no Brasil – 66,14% da população segundo o consórcio de veículos de imprensa – e a infecção prévia por outras variantes vai se comportar a partir do momento da introdução da ômicron.
“A gente ainda não sabe, mas a gente pode ter alguns sinais principalmente na Região Norte onde a transmissão da gama foi mais antiga, ainda em dezembro de 2020 e onde a cobertura vacinal não é elevada”, disse Croda.
“A gente tem que ficar muito atento nesse momento e entender que a vacina é nossa principal arma”, reforçou o especialista.

Fonte: G1 Mundo