Médico cria fantasias de super-heróis para atender crianças vítimas de violência no TO: ‘Papai Pequi vai te proteger’

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Pediatra trabalha fantasiado de personagens regionais criados com a ajuda dos filhos. Só o Hospital Geral de Palmas atendeu quase 500 vítimas de violência física, sexual, psicológica, além de negligências. HGP atendeu quase 500 crianças vítimas de violência em menos de um ano
Centenas de crianças sofrem algum tipo de violência no Tocantins anualmente. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), entre janeiro e novembro desde ano, 496 vítimas foram atendidas no Hospital Geral de Palmas (HGP). Para tratar os pacientes de forma mais humanizada, um médico trabalha fantasiado de super-heróis regionais, como o ‘Papai Pequi’ e o ‘Nevoeiro do Cerrado’. (Veja o vídeo)
Na ala pediátrica as vítimas de zero a 11 anos são acolhidas pelo Serviço de Atenção Especializada a Criança em Situação de Violência (SAVI), no HGP. O programa atende quem sofre violência física, sexual, psicológica, além de negligências.
O médico Paulo Roberto Gonçalves, responsável pelos cuidados com os pequenos pacientes, faz questão de chamar atenção de forma lúdica e a cada dia se veste de um personagem. O objetivo é transformar o peso da violência infantil em riso e alegria para aliviar o sofrimento.
Uma das fantasias usadas por ele tem como referência o pequi, fruto do cerrado. De bicicleta e buzinando, ele passa na ala infantil. “O papai pequi vai te proteger. Não tenha medo”, diz ainda nos corredores.
Outro personagem usa um escudo de capim-dourado, usado na fabricação de artesanatos principalmente na região do Jalapão.
Médico cria fantasias para atender crianças vítimas de violência no T
Reprodução/TV Anhanguera
O médico conta que os personagens são criados em casa. “Todo o trabalho, toda a ludicidade, o escudo, a roupa, os desenhos, são criações dos meus filhos comigo. A brincadeira e o amor que eu dedico a eles, dentro de casa, tento trazer para dentro do hospital”, disse o pediatra.
A consultas são feitas em um consultório cheio de brinquedos. Paulo Roberto Gonçalves conta que faz avaliação médica enquanto distrai e brinca com as crianças.
“É feito o atendimento médico geral, direcionado para crianças vítimas de violência”. Ele explica que precisa levantar informações no local. “É feita a história de vida da criança desde o nascimento, alimentação, vacinação. Tentar identificar a história de violência, se tem fatores de risco para violência, quais tipos de violência essa criança sofreu”, disse.
O médico faz parte de uma equipe multiprofissional, que também conta com enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. Para conseguir atendimento no SAVI não é necessário agendamento. O local funciona em regime de plantão.
“Antes os traumas, como afogamento, violência sexual com laceração, intoxicação, chegavam diretamente no HGP. Essas crianças eram notificadas aqui e depois encaminhadas para o Hospital Infantil. Agora o SAVI passa a atender desde o início. Além de tudo tem a situação da pandemia. Após a pandemia o aumento da violência doméstica aconteceu”, disse.
O objetivo do trabalho humanizado também é ensinar as crianças que alguns comportamentos, mesmo que dentro de casa, não são corretos e se necessário o correto é pedir ajuda.
Médico cria personagens para atender pacientes no HGP
Reprodução/TV Anhanguera
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Fonte: G1 Tocantins