O principal motivo é o aumento vertiginoso de novos casos da doença no país, uma nova fase da pandemia que pode se agravar com a chegada da variante ômicron. Marielotte Kilian, de 87 anos, e Richard Kilian, de 86, recebem vacina da Pfizer/BioNTech em 19 de janeiro, em Wiesbaden, na Alemanha
Arne Dedert/Reuters
O futuro chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, anunciou na terça-feira (30) que um projeto de lei sobre a obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19 será proposto ao Parlamento antes do fim do ano.
Com essa mudança de posição, o governo espera convencer o máximo de cidadãos a se imunizar antes que a vacinação se torne imperativa.
“Muitas pessoas ainda não se vacinaram”, afirmou Scholz ao canal Bild TV. Segundo ele, tornar a imunização obrigatória serve para “a proteção de todos”.
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A obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19 foi recentemente aprovada para profissionais de saúde e militares, e deve entrar em vigor em breve.
Caso o novo projeto de lei seja adotado pelo Parlamento alemão até o final deste ano, a medida poderá valer para todos a partir de fevereiro ou março de 2022.
Até agora, a Alemanha descartou dar este passo, temendo que a imposição irritasse ainda mais a parcela da população resistente a restrições contra a pandemia.
No entanto, o exemplo da vizinha Áustria, que recentemente determinou a imunização a todos os cidadãos aptos a partir de fevereiro de 2022, voltou a trazer o debate à tona.
A atual chanceler, Angela Merkel, se recusou a aprovar uma lei no final de seu mandato que avaliava esta questão polêmica.
Scholz também evitou tratar da obrigatoriedade durante a campanha eleitoral, temendo perder votos. No entanto, na terça-feira, o social-democrata expressou abertamente seu apoio à medida.
Situação dramática
“Todos estão de acordo sobre a situação extremamente grave nesta quarta onda da pandemia, às vezes dramática em nível regional”, indicou um comunicado divulgado na terça-feira pela chancelaria alemã, a alguns dias do fim do mandato de Merkel.
A situação sanitária gera uma forte pressão no sistema de saúde, com uma taxa de incidência de 452,2 casos de Covid-19 por 100 mil habitantes.
“Até o Natal, 30 milhões de doses iniciais, secundárias e de reforço serão possíveis”, indica o documento. A chancelaria também lembrou que a terceira injeção do imunizante foi aberta recentemente para várias faixas etárias da população.
Segundo uma pesquisa recente, a obrigatoriedade da vacina é apoiada por 64% dos alemães. Até o momento, 57 milhões de pessoas completaram o esquema vacinal no país, o que corresponde a 68,5% da população.
Na terça-feira, a Corte Constitucional alemã acolheu os pedidos dos governos regionais para reverter a ilegalidade de restrições consideradas radicais no começo da pandemia, como toques de recolher, fechamentos de escolas e limitações de circulação.
Paralelamente, várias regiões alemãs duramente afetadas pela nova onda de Covid-19 cancelaram suas feiras de Natal e proibiram as pessoas não vacinadas de acesso a espaços públicos, como salas de esporte e centros de lazer.
Outras medidas deverão ser discutidas pelo Parlamento a partir de quinta-feira (2), como as restrições de contato a pessoas não vacinadas até mesmo em reuniões e encontros pessoais.
“Está absolutamente claro que as interações precisam diminuir”, afirmou o futuro vice-chanceler, o ecologista Robert Habeck.
Fonte: G1 Mundo
