Em meio à crise migratória, agentes de turismo do Iraque vendem ‘pacotes com tudo incluso’ para Belarus

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Países têm adotado medidas para evitar que imigrantes viajem ao território bielorrusso para cruzar a fronteira com a Polônia em busca de refúgio na União Europeia. Homem tenta furar cerca em Belarus que contém migrantes que tentam entrar na Polônia nesta terça-feira (16)
Leonid Shcheglov/BELTA/AFP
Operadoras de turismo no Iraque estão vendendo pacotes com tudo incluso para Belarus, uma ex-república soviética no Leste Europeu. Por trás dessa oferta pouco comum, está o fato de o governo bielorrusso ter permitido a passagem de cidadãos do Oriente Médio que buscam refúgio em países da União Europeia — o que tem gerado uma grande crise na fronteira entre Belarus com a Polônia.
A União Europeia acusa o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, de instigar a onda de migração em retaliação às sanções europeias pela repressão cometida por seu regime.
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Desde agosto, as instituições da UE têm redobrado seus esforços diplomáticos para fechar as rotas de trânsito de migrantes do Oriente Médio para Minsk, de onde seguiam primeiro para a Lituânia e agora para a Polônia.
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Em agosto, a companhia aérea Iraqi Airways suspendeu os voos diretos entre Minsk e Bagdá por ordem do governo iraquiano.
Há duas semanas, os consulados bielorrussos em Erbil, no Curdistão iraquiano e Bagdá, onde os vistos de turista são emitidos para Minsk, também foram fechados a pedido do Executivo.
Na semana passada, a Turquia proibiu iraquianos, sírios e iemenitas de voar para Belarus, e a empresa Belavia decretou medida semelhante para voos de Dubai.
Pela Rússia, por Dubai, Doha e Ancara
Helicóptero militar da Polônia vigia grupo de migrantes que tenta entrar no país por meio da fronteira com Belarus nesta segunda (8)
Leonid Shcheglov/BelTA via AP
Mesmo com a pressão estrangeira, de acordo com operadores turísticos e especialistas consultados pela AFP, os migrantes ainda encontram rotas para chegar a Minsk e, a partir daí, às fronteiras com a União Europeia.
“Agora tudo é feito pela Rússia”, disse um funcionário anônimo de uma agência de viagens em Bagdá.
Por quase US$ 2 mil dólares, o cliente consegue o visto de turista e o voo para a Rússia, e depois o transporte terrestre controlado por traficantes até a fronteira com Belarus. O salário médio no Iraque é de cerca de US$ 300.
Mas, de acordo com Mera Jassem Bakr, um pesquisador iraquiano especializado em fluxos migratórios, os migrantes também têm rotas alternativas por Dubai, Doha e Ancara. Na verdade, eles nem precisam de visto para entrar no Catar se fizerem escala em Doha.
“São pacotes com tudo incluído”, diz Bakr. “Dois meses atrás, eles custavam US$ 2,5 mil. Agora estão entre US$ 3,5 mil e US$ 4 mil”, diz ele.
Tudo incluído — exceto o acesso à União Europeia, onde migrantes como Dana (nome fictício) foram deixados às portas. Ela, uma mulher síria, pouco se importa com “as consideráveis somas” já investidas, agora ela gostaria de voltar para casa.
Ela acaba de chegar a Minsk após 20 dias na fronteira com a Polônia, “sem água, sem comida” e com “golpes” de soldados bielorrussos.
“Apesar da guerra e dos problemas, me sinto mais segura na Síria do que aqui”, diz ela.

Fonte: G1 Mundo