Yasmin Alves Wanderley, de 10 anos, precisou retirar o rim direito após ser diagnosticada com câncer. A mãe disse que ficou impressionada com a solidariedade da menina. Yasmin doa cabelo após vencer o câncer
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Oito anos após vencer a luta contar o câncer, Yasmin Alves Wanderley, de apenas 10 anos, comoveu ao doar cabelo para ajudar vítimas da doença. A menina foi diagnosticada com um tumor renal, chamado wilms, quando tinha dois anos. Fez sessões de quimio e radioterapia, passou por uma cirurgia para retirar o rim direito e ficou em Brasília por seis meses para tratamento. Mas hoje comemora, junto com a família, a cura de uma das doenças mais temidas.
Com um cabelo grande, a menina não pensou duas vezes. Resolveu que era hora de abrir mão de parte das mechas para ajudar mulheres que também foram diagnosticadas com o câncer.
A doação foi feita na quarta-feira (10), na Escola Adventista de Palmas. A ação fez parte de uma gincana solidária promovida pela instituição para despertar a solidariedade dos alunos. Cabeleireiros voluntários realizaram o corte de 100 mechas de cabelo que serão doadas para o hospital do câncer.
“Eu fiquei muito feliz em poder doar. Estou sentindo um pouco de falta do meu cabelo, mas valeu a pena”, disse a menina.
A mãe, a enfermeira Denisfran Leite Alves Wanderley conta que ficou impressionada com a solidariedade da menina.
“Vimos qual iria ser o dia e nos programamos. Ela tomou banho, lavou o cabelo e foi doar toda animada. Ficou feliz em perceber que estava ajudando alguém. É a primeira vez que ela doa e ela mesma achou a ideia interessante porque tinha ficado carequinha. Yasmin não gosta de cabelo curto e eu fiquei impressionada com a solidariedade dela”, disse.
Na gincana, mais de mil estudantes também arrecadaram 5 toneladas de alimentos não perecíveis que serão entregues para famílias carentes; mais de 6 mil peças de roupas e 1,2 mil brinquedos quer serão doados para a campanha Natal dos Correios. A ação também envolveu arrecadação de sandálias para doar ao Hospital Geral de Palmas, além da doação de sangue e medula óssea.
Yasmin, oito anos após vencer um câncer no rim
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História de luta
Era o Dia das Mães no ano de 2014, quando a enfermeira Denisfran recebeu uma notícia que não esperava: a filha de dois anos e seis meses tinha sido diagnosticada com um tumor no rim.
“A barriguinha dela estava aumentando, ela estava perdendo peso, levei na consulta de rotina. Os médicos fizeram exames e constataram que era um tumor no rim. Nesse dia que eu saí para consulta, a médica já deixou ela internada. A saga havia começado”, conta.
Nessa época, a família não tinha plano de saúde. Yasmin ficou internada no Hospital Infantil de Palmas. No entanto, a pequena guerreira precisava fazer uma cirurgia, que não era realizada no Tocantins.
“Aqui em Palmas os médicos me falaram que ela tinha tumor muito agressivo, que não tinha tratamento, era como se eu recebesse notícia para esperar a hora da morte. Eu fiquei em choque com a notícia de que não tinha solução. Na minha cabeça era ir para casa e esperar ela morrer”.
Com apenas dois anos, Yasmin precisou lutar contra um câncer no rim
Arquivo Pessoal
Depois de muita luta, correria e insistência, a família conseguiu uma Transferência Fora de Domicílio (TFD) para Brasília.
“Ela ficou 12 dias internada em Palmas até conseguirmos a transferência para o Hospital da Criança José de Alencar, em Brasília. Fomos para lá e ela fez novamente consulta e uma bateria de exames. A primeira notícia que recebi lá era que o câncer parecia agressivo, mas que tinha tratamento dependendo da fase. Isso tirou um grande peso das minhas costas, porque tinha grandes chances de ela sair dessa”.
No mesmo dia que chegou em Brasília, Yasmin fez a primeira sessão de quimioterapia. A mãe relata que a menina foi submetida a um protocolo europeu para tratamento da doença. A ideia era reduzir o tumor com quimioterapia para depois fazer a cirurgia.
“Ela ficou um mês fazendo quimioterapia para murchar o tumor para só depois fazer cirurgia. No dia 14 de junho de 2014, Yasmin passou pelo procedimento cirúrgico e retirou o rim direito. Nesse tempo todo, o pai dela dormiu dentro do carro no estacionamento porque foi tudo em cima da hora, a gente não se programou. Foi um turbilhão”.
Dois dias depois do procedimento, Yasmin recebeu alta. Mas a família precisou continuar em Brasília porque a menina tinha que seguir com o tratamento. Os pais, que moravam em Palmas, precisaram se mudar para o Distrito Federal e alugar uma casa por seis meses.
“Ela precisou enfrentar a perda do cabelo, mas eu sempre trabalhei com ela a questão da aceitação. Apesar da idade, ela já entendia. Na época, não conseguimos peruca, mas não fiquei estressada porque até então ela estava bem psicologicamente”.
Hoje, ao ver a filha curada, Denisfran se emociona. Até os 18 anos, a menina vai precisar fazer exames médicos anualmente, mas a mãe enche a boca de felicidade para falar que a filha está bem.
“Ela está super saudável e tem uma rotina normal. Ela tem uma inteligência emocional acima da idade. Depois de tudo o que passou, Yasmin fala que quer ser médica pediatra”, finalizou.
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Fonte: G1 Tocantins
