Argentina vai às urnas neste domingo para eleição legislativa; expectativa é de que oposição conquiste o Senado

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Pesquisas indicam que a oposição deve ter cerca de 40% dos votos, e os candidatos ligados ao governo, cerca de 30%. Alberto Fernández com o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, em 11 de novembro de 2021
Divulgação/Presidência Argentina/Via AFP
Os eleitores da Argentina vão votar neste domingo (14) para renovar uma parte dos ocupantes dos cargos legislativos no país: metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado estão em jogo.
As pesquisas mostram que a aliança de oposição tem cerca de 10 pontos percentuais de vantagem.
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Uma pesquisa da empresa Management & Fit mostrou que a oposição conservadora estava bem à frente, com 40% dos votos nacionais contra 27,8% do partido governista Frente de Todos,.
Outra pesquisa da Ricardo Rouvier & Asociados tinha a oposição com 42,1%, à frente do governo, com 34,2%.
Se esse resultado se confirmar nas urnas, o presidente do país, Alberto Fernández, deve ter mais dificuldade para governar, pois o Senado passaria para o controle da oposição.
O que aconteceu nas prévias?
Na Argentina, todas as coligações são obrigadas a fazer prévias. Como os eleitores só podem escolher uma coligação para votar, o resultado dessas prévias é sempre interpretado como um sinal sobre o que deve acontecer na eleição de fato.
Argentina: parciais indicam que governo de Alberto Fernández sofreu derrota nas primárias de eleições para o Legislativo
As prévias aconteceram no dia 12 de setembro.
A frente política do ex-presidente Maurício Macri (Juntos pela Mudança) obteve cerca de 40% dos votos, e a frente de Fernández (Frente de Todos) teve cerca de 31% dos votos nacionais.
Macri na Cúpula do Mercosul em Bento Gonçalves, em 2019
AFP/Carl de Souza
Por que é importante?
Embora a renovação seja parcial no Congresso da Argentina, as eleições de domingo terão um impacto na presidência de Fernández porque definirão a governabilidade para a segunda metade de seu mandato, segundo analistas.
“Se os resultados da prévias se repetirem, o partido no poder pode perder a maioria que tem no Senado e não só não alcançaria a maioria dos deputados, mas também perderia cadeiras”, diz Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos Nova Maioria.
O analista político Gabriel Puricelli considera que “a composição do Congresso determinará as condições de governança” até 2023, quando termina o mandato de Fernández.
Mas também são “um testa da viabilidade das duas principais coalizões como veículo para as próximas eleições presidenciais”, diz, referindo-se à Frente de Todos.
Outro fator a ser levado em consideração “será quanto poder a oposição terá no Congresso. Se conseguir o poder de bloqueio, é mais provável que o use”, alerta Puricelli.
O cientista político Carlos Fara considera que uma derrota “travará o kirchnerismo nas duas Câmaras e pode dificultar questões institucionais no Senado, como a nomeação de juízes”.
Crise econômica e de Covid-19
Há uma onda de descontentamento contra o governo argentino por duas razões:
Escândalos ligados a problemas na gestão da pandemia (houve gente que furou a fila da vacina, e o presidente foi a uma festa no período em que aglomerações estavam proibidas);
Economia com inflação em alta.
Em 12 meses, a inflação chegou a 52,1%, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). A inflação na Argentina avançou 3,5% em outubro na comparação com o mês anterior.
O dólar no mercado ilegal, chamado de “dólar blue”, atingiu um novo recorde de 206,50 pesos. Com a valorização, a diferença para a cotação oficial é de mais de 100%.
A última pesquisa de aprovação do governo da consultoria Isonomía mostra que 33% dos argentinos aprovam Fernández. Cristina Kircher, a vice-presidente, é aprovada por 31%.
Reação do governo
Desde o resultado das prévias, em setembro, o governo fez algumas tentativas para recuperar a popularidade:
Congelou preços;
Passou a imprimir mais dinheiro;
Aumentou repasses de programas sociais.
‘Anarcocapitalista’
Imagem de Javier Milei de uma conta de redes sociais
Reprodução/instagram.com/javiermilei
Javier Milei, um “anarcocapitalista” é um dos candidatos mais conhecidos que disputam as eleições legislativas.
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Ele concorre a um cargo de deputado e propõe acabar com o Banco Central, que, segundo ele, é uma instituição criminosa que atinge os mais pobres (ele argumenta que quando o Banco Central imprime dinheiro, desvaloriza o peso, e quem mais sofre com isso são os mais pobres).

Fonte: G1 Mundo