Mãe de criança com microcefalia diz que falta alimentação especial na ala infantil do HGP: ‘se alimenta porque estou comprando’

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Mulher, que não trabalha para cuidar do filho, disse que o problema já dura quase um mês e não consegue mais comprar a fórmula. Mães que têm filhos internados na ala infantil do Hospital Geral de Palmas (HGP) estão reclamando da falta de medicamentos e de alimentação especial para as crianças internadas. Uma mulher que não será identificada disse que o filho dela, que tem microcefalia e várias outras comorbidades, se alimenta por sonda. Com a fórmula em falta há quase 30 dias, mesmo desempregada, ela precisa comprar.
A mulher conta que o filho, de 4 anos e 3 meses, também é autista e sofre de epilepsia. Ele deu entrada no hospital por conta de uma pneumonia.
Ela disse que durante o tratamento os médicos prescrevem medicamentos que muitas vezes estão em falta. Além disso, falta um alimento da ‘dieta enteral’, que é para pessoas que precisam se alimentar por sondas ou tubos.
“Isso está acontecendo muito. Muita coisa está faltando. Hoje ele está se alimentando porque estou comprando a fórmula que faz a alimentação dele. Ele está usando uma sonda. Eu não tenho condição de arcar com essa nutrição”, disse a mãe.
O g1 entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), mas a pasta ainda não se posicionou.
A mulher conta que a unidade está sem o alimento há quase um mês. Ela, que não trabalha para se dedicar aos cuidados com o filho, diz que não tem mais recursos para custear as despesas que deveriam ser do hospital.
“Está fechando 30 dias que está sem. Já dei entrada na farmacêutica e a resposta é que não sabem quando vai chegar. Chegou a um ponto que eu não tenho mais dinheiro para comprar porque não é barato. Ele só não está sem alimentação porque eu comprei. Não tenho mais dinheiro”, disse a mulher.
Problema antigo
Não é a primeira vez que o problema é identificado em hospitais estaduais. Em maio deste ano o Ministério Público do Tocantins encontrou os estoques da chamada ‘dieta enteral’ completamente vazios no Hospital Geral de Palmas. Este tipo de alimento é específico para pacientes em estado grave, que não podem mastigar e engolir por conta própria, e que precisam se alimentar por sondas ou tubos.
Em setembro deste ano, a Justiça bloqueou mais R$ 800 mil do governo para garantir a ‘dieta enteral’. Na época o Estado recebeu um prazo de 30 dias para providenciar e comprovar a aquisição de itens.
A decisão foi após órgãos como a Defensoria e Ministério Público do Tocantins constatarem baixo estoque dos alimentos e que havia somente 18 itens nos hospitais geridos pelo Estado em várias cidades.
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Fonte: G1 Tocantins