Igreja de Pádua, na Itália, diz que título honorário a Bolsonaro causa ‘grande constrangimento’

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Presidente do Brasil viajou ao país para reunião do G20 e deve visitar a região onde o bisavô nasceu. Igreja fez ‘apelo’ para que Bolsonaro ‘seja um promotor de políticas respeitosas da Justiça, da saúde e do meio ambiente, especialmente para apoiar os pobres’. Bolsonaro desembarca em Roma para encontro do G-20
A Igreja de Pádua, na Itália, fez um apelo ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e disse que o título que ele vai receber de cidadão honorário de Anguillara Vêneta, uma comuna da região, onde nasceu seu bisavô, causa “grande constrangimento”.
Bolsonaro chegou ao país nesta sexta-feira (29) para participar da cúpula do G20. Depois do evento, o presidente brasileiro deve visitar o vilarejo de Anguillara Vêneta, terra natal de Vittorio Bolzonaro.
A comuna de 4 mil habitantes fica na região do Vêneto, a cerca de 45 km de Pádua, onde está a igreja que divulgou a nota, intitulada “Laços com o Brasil, apelo a Bolsonaro”, na quarta-feira (27).
A prefeita da Anguillara Vêneta, Alessandra Buoso, é filiada à Liga (partido de extrema direita italiano) e deve entregar o título de cidadão honorário do município a Bolsonaro. Ainda não foi confirmada a visita do presidente a Pádua.
A nota da Igreja de Pádua diz que “a concessão da cidadania honorária criou um grande constrangimento para nós” e que não é possível ignorar “as muitas e fortes vozes de sofrimento que cada vez mais nos alcançam”.
Bolsonaro chega a Roma, na Itália, para a cúpula do G20
Reprodução/GloboNews
“A Igreja de Pádua, tornando-se porta-voz de um sentimento generalizado e em virtude do vínculo que une o Brasil com a nossa terra, aproveita a oportunidade da possível passagem do presidente Bolsonaro por Anguillara Veneta para pedir-lhe sinceramente que seja um promotor de políticas respeitosas da Justiça, da saúde e do meio ambiente, especialmente para apoiar os pobres”, diz o texto.
O documento também destaca as figuras dos padres Ezechiele Ramin e Ruggero Ruvoletto, ambos assassinados por pistoleiros no Brasil e afirma que os bispos do Brasil “nos últimos meses estão denunciando fortemente a violência, o abuso, a exploração da religião, a devastação ambiental e ‘o agravamento de uma grave crise de saúde, econômica, ética, social e política, intensificada pela pandemia’”.
“A notícia destes dias volta ainda mais os holofotes para a gestão da emergência da Covid, em um país que já registrou mais de 600 mil mortes na pandemia”, diz o texto.
Recentemente, mais de 400 padres e 10 bispos católicos brasileiros assinaram um manifesto que acusa Bolsonaro de ter profanado o Santuário de Nossa Senhora Aparecida no dia 12, dia da padroeira do Brasil.
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Fonte: G1 Mundo