Falhas no procedimento de injeção letal levaram presos a sofrerem com muita dor antes de morrer. Oklahoma é um dos estados nos EUA que ainda adotam a pena de morte. A foto, de outubro de 2014, mostra a maca em uma câmara de execução na penitenciária estadual de Oklahoma, na cidade de McAlester.
Sue Ogrocki/AP
A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou nesta quinta-feira (28) o estado de Oklahoma a retomar as execuções após um hiato de seis anos, assim como injetar um coquetel letal suspeito de causar dores excruciantes aos condenados.
Oklahoma, um estado rural e conservador do sul dos EUA, previa executar, às 16h locais (18h em Brasília), John Grant, um afro-americano de 60 anos condenado à morte pelo assassinato de um trabalhador da prisão.
John Marion Grant, condenado a morte por assassinato em Oklahoma (EUA)
Oklahoma Department of Corrections via AP
Sua morte seria causada pela administração de uma combinação de três substâncias que, após vários problemas em execuções nos anos de 2014 e 2015, levou o estado a suspender temporariamente a aplicação da pena.
Em 2020, as autoridades locais concluíram um novo protocolo e marcaram várias datas para a aplicação das penas em 2021, começando por Grant.
“O protocolo comprovou ser humano e eficaz”, afirmou o serviço penitenciário de Oklahoma em comunicado.
No entanto, para o advogado do condenado, Dale Baich, ainda há “sérias dúvidas” sobre o sofrimento causado pelo coquetel letal e sua conformidade com a Constituição, que proíbe as “penas cruéis ou incomuns”.
Na quarta-feira, um tribunal de apelação decidiu em favor de Grant e suspendeu a execução, mas as autoridades de Oklahoma recorreram imediatamente à Suprema Corte, que anulou a decisão nesta quinta.
Sem explicar os motivos, a mais alta corte americana deu luz verde à execução. Seus três juízes da ala progressista discordaram da maioria conservadora.
Oklahoma, no centro-sul dos EUA, é um dos 29 estados que têm a pena de morte
G1
Entenda o problema dessa injeção letal
Erros na administração e supervisão do suprimento de drogas usadas nos procedimentos foram os fatores que levaram a problemas nas duas últimas execuções do estado.
A primeira delas foi em abril de 2014, na penitenciária estadual na cidade de McAlester. Um prisioneiro, Clayton Lockett, pareceu gemer e lutar durante a execução, que durou 43 minutos. Médicos concluíram que ele não havia sido completamente sedado: Lockett recuperou a consciência durante o processo e se contorceu de dor antes de morrer — por um longo tempo após testemunhas, incluindo a imprensa, serem escoltadas da sala de observação da câmara de execução, disse o “The New York Times”.
Depois, em janeiro de 2015, Charles Warner foi executado em um procedimento que durou 18 minutos, no qual funcionários usaram a droga errada para parar seu coração: acetato de potássio em vez de cloreto de potássio.
VÍDEO: Debate sobre injeção letal foi reacendido em 2015
EUA debatem pena de morte alternativa com a falta da substância usada na injeção letal
A mesma droga quase foi usada em um segundo prisioneiro, Richard Glossip, mas, duas horas antes de sua execução, os funcionários da prisão perceberam que a droga errada havia sido enviada pela segunda vez.
O caso levou as autoridades estaduais a suspenderem todas as execuções em Oklahoma até que os procedimentos de pena de morte do estado pudessem ser revistos. A decisão, depois, foi apoiada por um juiz federal no estado.
Fonte: G1 Mundo
