O país que vai abandonar a monarquia e trocar a rainha Elizabeth II por uma presidente como chefe de Estado

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Barbados elegeu sua primeira presidente poucas semanas antes de a ilha se tornar uma república e deixar de reconhecer monarca britânica como sua chefe de estado. Rainha Elizabeth II cumprimenta a então governadora-geral de Barbados, Sandra Mason, em foto de 20 de março de 2018
Reprodução/Família Real Britânica
Barbados celebrou as primeiras eleições presidenciais de sua história, 13 meses depois de anunciar sua separação da Commonwaelth, o que significa se afastar da Coroa britânica.
Sandra Mason, de 72 anos, foi eleita na quarta-feira (20) por voto universal indireto e vai tomar posse em 30 de novembro como presidente deste micro-Estado do Caribe, que deixou de ser uma monarquia constitucional e se prepara para se tornar uma república.
Até o momento, ela era governadora-geral da ilha, ou seja, a representante oficial da rainha da Inglaterra.
“A Câmara e o Senado se reuniram para eleger a primeira presidente de Barbados, outro marco histórico no caminho para a república”, tuitou o governo do país.
Elizabeth II perdeu sua soberania sobre Barbados, um dos últimos reinos da Commonwealth, que reúne ex-colônias britânicas.
Mason anunciou o divórcio com a Coroa britânica em setembro de 2020 durante um discurso na capital Bridgetown.
“Após obter a independência há mais de meio século, nosso país não pode duvidar de sua capacidade para se autogovernar”, disse Mason.
Barbados, uma joia turística das Pequenas Antilhas, é especialmente popular entre a alta sociedade anglo-saxã.
A ilha mais oriental do Caribe, 300 km ao leste da Venezuela, tem uma superfície de apenas 430 km2. Em 2019, abrigava cerca de 287.000 habitantes, segundo o Banco Mundial.
Antes da pandemia de covid-19, mais de um milhão de turistas visitavam o país por ano, famoso por suas praias paradisíacas e suas águas cristalinas.
No ano passado, Barbados anunciou sua intenção de que a rainha Elizabeth II deixe de ser sua chefe de Estado em novembro de 2021, uma decisão que pretende deixar para trás qualquer vestígio de seu passado colonial.
A governadora-geral da ilha caribenha, Sandra Mason, anunciou essa decisão durante o discurso conhecido como Discurso do Trono.
“Chegou o momento de deixar nosso passado colonial completamente para trás”, disse Mason, que falou em nome da primeira-ministra, Mia Mottley.
Mais de meio século após conquistar a independência do Reino Unido, “os habitantes de Barbados querem um chefe de Estado de Barbados”, acrescentou. “Esta é a declaração máxima de confiança em quem somos e no que somos capazes de conseguir”.
Mason disse que “Barbados dará o próximo passo lógico à soberania total e se tornará uma república” quando a ilha celebrar seu 55o aniversário de independência, em 30 de novembro de 2021.
Questionado sobre esta decisão, um porta-voz do Palácio de Buckingham disse: “Este é um assunto do governo e do povo de Barbados”.
A rainha Elizabeth II é chefe de Estado do Reino Unido e outros 15 países (Antígua e Barbuda, Austrália, Bahamas, Barbados, Belize, Canadá, Granada, Jamaica, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Ilhas Salomão e Tuvalu) que estiveram sob mandato do Reino Unido.
Muitos habitantes de Barbados pediram no passado que a rainha Elizabeth fosse retirada do cargo de chefe de Estado devido a suas persistentes associações imperialistas, e vários dos líderes da ilha defendem torná-la uma república.

Fonte: G1 Mundo