Filho de imigrantes da Jamaica, ele se tornou o primeiro negro a ocupar cargos de grande responsabilidade nos EUA. Em 2003, ele fez um discurso na ONU defendendo a invasão do Iraque com base em afirmações dos serviços de inteligência dos EUA que diziam que os iraquianos tinham armas de destruição em massa. Isso nunca se comprovou. Imagem de 8 de setembro de 2003 do então secretário de Estado americano, Colin Powell
Tim Sloan/AFP
Colin Powell, o ex-secretário de Estado dos EUA que morreu de Covid-19 nesta segunda-feira (18), dizia às pessoas que previa que o primeiro parágrafo de seu obituário seria dedicado a um discurso que ele fez na ONU, em 2003, que, na prática, tornou aceitável para os americanos a ideia da invasão do Iraque que ocorreu naquele ano.
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Quando fez esse discurso, Powell era o secretário de Estado do governo dos Estados Unidos (é o cargo equivalente ao chefe da diplomacia do país). O presidente era George W. Bush.
Segundo os jornais americanos, inicialmente, Powell era o principal assessor de Bush que era contrário à guerra no Iraque (Dick Cheney, o vice-presidente, e Donald Rumsfeld, o secretário de Defesa, eram favoráveis).
Foto tirada em 4 de dezembro de 1992 mostra o então Secretário de Defesa dos EUA Dick Cheney e o General Colin Powell durante uma coletiva de imprensa em Washington sobre a situação em Somália
Renaud Giroux/AFP
Em uma reunião entre Bush, Powell e Condoleezza Rice, que era a conselheira de segurança nacional, Powell afirmou que se a guerra no Iraque desse errado, Bush seria responsabilizado por isso.
Mas poucos meses depois dessa conversa, Powell foi à ONU e deu um discurso favorável à invasão. Ele citou um relatório dos serviços de inteligência dos EUA que dizia que acreditava-se que o Iraque tinha de 100 a 500 toneladas de armas químicas, e toda essa quantidade havia sido produzida só nos últimos 12 meses. Isso nunca se comprovou.
O presidente americano Ronald Reagan realiza reunião do Conselho de Segurança Nacional sobre o Golfo Pérsico com o Conselheiro de Segurança Nacional Colin Powell no Salão Oval, na Casa Branca, em Washington, em 18 de abril de 1988
White House Photographic Office 1981-1989
Powell deixou o cargo de secretário de Estado no fim do primeiro governo de Bush. Ele foi substituído por Condoleezza Rice, que tinha mais afinidade com Bush.
Filho de imigrantes da Jamaica
Na infância, Powell viveu em um bairro pobre, no estado do South Bronx, em Nova York. “Minha história é a de uma criança negra que, inicialmente, não era muito promissora de uma família de imigrantes da Jamaica que foi criada no South Bronx”, ele afirmou em sua biografia publicada em 1995.
Colin Powell ao lado de George W. Bush em foto tirada em agosto de 2004
Larry Downing/Reuters
Seu primeiro emprego foi em uma unidade de envasamento da Pepsi, em Nova York.
Powell iniciou seus estudos na City College da cidade. Quando estava lá, descobriu o Centro de Treinamento de Oficiais da Reserva. Powell conta que, quando colocou seu uniforme, gostou do que viu.
Ele entrou no exército em 1962. Ele foi ao Vietnã no começo do conflito, quando John F. Kennedy ainda estava vivo.
Ao longo das décadas seguintes, ele foi recebendo uma série de promoções no exército. Ele se tornou um assistente militar do secretário de Defesa Caspar Weinberger, que ocupou o cargo durante o governo de Ronald Reagan.
Weinberger virou uma espécie de patrocinador de Powell.
Depois de exercer o cargo de assistente de Weinberger, ele se tornou comandante do 5º Corpo do Exército na Alemanha e, mais tarde, foi conselheiro de segurança nacional de Ronald Reagan.
Ele foi o primeiro negro a ocupar cargos de grande responsabilidade nos EUA: tornou-se chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, no governo de George W. Bush, secretário de Estado.
Sua participação na Guerra do Iraque foi criticada até mesmo do cantor Harry Belafonte. Belafonte já comparou Powell a um “escravo doméstico” (ou seja, um escravo que era próximo dos senhores) por ter aceitado a decisão de invadir o Iraque. Powell, que era fã de calipso, não respondeu a Belafonte, mas disse que uma canção de Belafonte nesse ritmo não era boa.
Em 2012, ele chegou a dizer que a invasão do Iraque foi um sucesso, porque o ditador iraquiano foi retirado do poder.
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Fonte: G1 Mundo
