Apreensão de produtos sem nota fiscal pela PRF no Tocantins cresce 856% em 2021

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Dados são referentes ao período de janeiro a setembro. Delegado da Receita Federal explica que estado se tornou rota de distribuição de mercadorias ilegais. Apreensões de produtos sem nota fiscal cresce 856% no Tocantins
Entre janeiro e setembro deste ano houve um aumento de 856% no número de produtos sem nota fiscal apreendidos nas rodovias federais do Tocantins. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que em 2020 foram 40.647, contra 388.659 no mesmo período de 2021.
Na última ocorrência os produtos lotaram o bagageiro de um ônibus parado na BR-153. Celulares e eletrônicos são a maioria dos produtos, mas também são encontrados perfumes, cigarros e outros bens importados ilegalmente.
“O aumento corresponde a vários fatores, entre eles o aumento do consumo de produtos eletrônicos, informática, em razão da pandemia, do home office. Além disso, nós temos o desabastecimento da indústria nacional com equipamentos eletrônicos então a importação acaba se tornando mais comum”, disse o policial rodoviário Daniel Oliveira.
As abordagens se repetem pelo país. Em Uruaçu (GO), o bagageiro do ônibus estava lotado de mercadoria. No interior de São Paulo, a lataria do veículo serviu para esconder aparelhos celulares importados ilegalmente.
Esse ano a Polícia Rodoviária Federal constatou uma alteração na rota do transporte de mercadorias sem nota fiscal. Foram feitos muitos flagrantes de produtos descendo do norte para estados da região sul. Ao contrário dos anos anteriores quando ocorreram muitos flagrantes de mercadorias entrando pelo Paraguai e subindo a Belém-Brasília até o norte.
“Esses objetos entravam pelo país pela região sul, principalmente por São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina. Diante disso a receita intensificou a fiscalização nessas regiões e a quadrilha que trazia esses produtos importados mudou a rota de entrada dessas mercadorias no país e a rota passou a ser agora a região norte. Diante disso, a quadrilha espalha toda a mercadoria que entra pelo norte para o Brasil, e o Tocantins agora passou a ser uma rota dessa distribuição de mercadorias ilegais”, explicou o delegado da Receita Federal Ricardo Magalhães.
Produtos apreendidos em caminhão na BR-153
TV Globo/Reprodução
Em todo o Brasil o número de itens aprendidos foi 44% maior que no ano passado, saltando de 2.883.420 para 4.160.243.
“Um segundo fator que atinge também a sociedade é o não recolhimento dos tributos, dinheiro este que seria revertido para a educação, saúde, combate a pandemia, ou seja, vários benefícios pra sociedade deixam de ser observados e executados exatamente pelo não recolhimento dos tributos”, disse Daniel Oliveira.
Quem é pego transportando produtos importados sem nota fiscal pode responder pelo crime de descaminho com uma pena de um a quatro anos de prisão. Os produtos são apreendidos pela Receita Federal.
“Quando essa mercadoria entra no país sem pagar os seus tributos, isso gera uma concorrência desleal com as empresas que vedem os mesmos produtos pagando tributos. Isso coloca em risco a própria atividade econômica dessas empresas e o emprego também”, explica o delegado.
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Fonte: G1 Tocantins