Portal teve acesso a documentos que mostram protocolos para anúncio da morte da soberana e para coroação de Charles. Detalhes revelam preocupação com superlotação de Londres e com alertas de ataques terroristas. Rainha Elizabeth II lê discurso no Parlamento britânico, em 11 de maio de 2021
Chris Jackson/AP
Quando o primeiro-ministro do Reino Unido for informado por telefone de que “London Bridge caiu”, ele saberá que a rainha Elizabeth II morreu e que a Operação London Bridge terá início, um protocolo complexo cujos detalhes foram revelados nesta sexta-feira (03) pelo site Politico.
O “dia D” – como é chamado o dia da morte da rainha – começará com uma série de ligações e e-mails para altos funcionários e ministros, cujo rascunho já foi redigido.
“Caros colegas, é com tristeza que escrevo para informá-los da morte de Sua Majestade, a Rainha”, enviará aos ministros o secretário de gabinete.
Cada dia subsequente à morte é referido como “D + 1,” “D + 2” e assim por diante, revelou o site, que teve acesso a documentos do governo britânico.
Os planos para a Operação London Bridge e a Operação Spring Tide, que estabelece como Charles irá ascender ao trono, contêm detalhes específicos, como a potencial “ira” de parte da população caso Downing Street – residência oficial e o escritório do primeiro-ministro britânico – não consiga baixar as bandeiras a meio mastro em no máximo 10 minutos após o anúncio.
O site enfatiza, porém, que a monarca de 95 anos está com uma “boa saúde” e que “nada sugere” que esses planos “tenham sido revistos com alguma urgência”.
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Anúncio ao público
Os cidadãos britânicos tomarão conhecimento da notícia por meio de uma nota oficial emitida pela Casa Real. O primeiro-ministro será o primeiro membro do governo a fazer uma declaração, e os demais integrantes do Executivo não poderão se pronunciar sobre o assunto antes disso.
O Parlamento britânico, bem como as câmaras autônomas da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, cessarão suas atividades. Será anunciado um minuto de silêncio nacional e o Ministério da Defesa irá disparar salvas de vários locais.
Na internet, os planos incluem mudar o site da família real para uma página negra com uma curta declaração confirmando a morte da rainha. O site oficial do governo britânico e as redes sociais do governo exibirão uma faixa preta. O conteúdo não urgente não será publicado e os retuítes serão proibidos, a menos que sejam autorizados pelo chefe de comunicações do governo.
Os documentos também mostraram preocupações do Ministério das Relações Exteriores sobre como providenciar a entrada de um número significativo de turistas no Reino Unido, do Ministério do Interior sobre como lidar com potenciais alertas de terrorismo e do Departamento de Transporte sobre a superlotação de Londres.
Coroação do novo rei
No dia da morte da rainha, o primeiro-ministro terá uma audiência com o novo rei, Charles, filho mais velho de Elizabeth II. Depois, o premiê participará de uma cerimônia fúnebre íntima na Catedral St. Paul’s.
Charles se dirigirá à nação às 18h (hora local) e será proclamado soberano às 10h (hora local) do dia seguinte. Além disso, nos dias que antecederam o funeral, ele fará uma viagem pelo Reino Unido, começando na Escócia e terminando no País de Gales.
Príncipe Charles, filho de Philip e o primeiro na linha de sucessão ao trono britânico, acompanha o funeral do pai em 17 de abril de 2021
Leon Neal/Pool/Reuters
Translado do caixão
O protocolo prevê diferentes alternativas, dependendo do local da morte da soberana. Se ela morrer em sua residência em Sandringham (leste da Inglaterra), seu caixão chegará em um trem e será recebido pelo primeiro-ministro na estação de St. Pancras, em Londres.
Se acontecer em Balmoral (Escócia), a “Operação Unicórnio” será ativada, e o caixão será levado de trem para Londres, se possível. E, se não, a “Operação Overstudy”, será ativada, a qual transportará o caixão de avião.
No segundo dia de luto, o caixão com a rainha irá ao Palácio de Buckingham, e no quinto marchará em procissão ao Palácio de Westminster. Lá, ficará até o oitavo dia em caixão elevado e aberto ao público durante 23 horas por dia.
Pessoas observam e tiram foto do aviso no portão do Palácio de Buckingham que anuncia a morte do príncipe Philip, marido da Rainha Elizabeth II, em 9 de abril de 2021
Hannah McKay/Reuters
Funeral da rainha
O funeral oficial será realizado 10 dias após a morte de Elizabeth II e anunciado como um “dia de luto nacional”, mas não será um feriado oficial. Se cair em um dia de semana, ficará ao critério dos empregadores conceder ou não o dia de folga.
A cerimônia acontecerá na Abadia de Westminster e a monarca será enterrada na Capela Memorial do Rei George VI, no Castelo de Windsor, junto com seu marido, o duque de Edimburgo, que faleceu em abril deste ano.
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Fonte: G1 Mundo
